Flores do Campo

João de Deus · Capítulo 30 de 79

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Flores do Campo

A Minha Mãi

E á tarde quando o albergue,

No solitario val,

Incenso queima e se ergue

D'Abel o fumo igual;

Da pomba solta o vôo,

Baixa-me um olhar teu

E dize-me: perdôo;

Sim, tudo aspira ao céo!

 

Coimbra.

 

A MINHA MÃI

 

Patria! berço d'amor, que a alma embala

Em quanto a luz vital nos illumina,

E onde só descançado se reclina

Quem, longe d'ella, dôr contínua rala...

Se n'essa essencia, mãi! que a flôr exhala Na essencia d'uma flôr d'essa collina,

Vês lagrimas d'amor que dentro a mina,

Com saudades de quem do céo lhe falla:

Se quando, o céo buscando, o fumo ondeia, Quando esse valle o sol deixa indeciso,

Vês como fumo e flôr aspira, anceia

Um pai, um Deus, um céo, um paraiso,

Ah! tendo eu tudo, tudo, em minha aldeia, Vê tu se labio meu desfolha um riso!