Flores do Campo

João de Deus · Capítulo 41 de 79

Páginas do PDF

Flores do Campo

Dinheiro

Talvez o fructo então de teus enganos

O não colhesses tu de face enxuta.

Mas eu perdôo-te o mal que me has causado; A culpa não é tua e só devia

Vingar-me em quem tão bella te ha formado.

E hei-de vingar-me, crê; mas isso um dia

Depois d'um beijo teu me pôr em estado

De disputar a Jove a primazia.

 

Evora.

 

DINHEIRO

 

O dinheiro é tão bonito,

Tão bonito, o maganão!

Tem tanta graça o maldito,

Tem tanto chiste o ladrão!

O fallar, falla d'um modo...

Todo elle, aquelle todo...

E ellas acham-no tão guapo...

Velhinha ou moça que veja,

Por mais esquiva que seja,

Tlim!

Papo.

E a cegueira da justiça

Como elle a tira n'um ai!

E sem pegar n'uma pinça;

É só dizer-lhe: ahi vai...

Operação melindrosa

Que não é lá qualquer coisa;

Catarata! tome conta:

Pois não faz mais do que isto,