Flores do Campo
Dinheiro
Talvez o fructo então de teus enganos
O não colhesses tu de face enxuta.
Mas eu perdôo-te o mal que me has causado; A culpa não é tua e só devia
Vingar-me em quem tão bella te ha formado.
E hei-de vingar-me, crê; mas isso um dia
Depois d'um beijo teu me pôr em estado
De disputar a Jove a primazia.
Evora.
DINHEIRO
O dinheiro é tão bonito,
Tão bonito, o maganão!
Tem tanta graça o maldito,
Tem tanto chiste o ladrão!
O fallar, falla d'um modo...
Todo elle, aquelle todo...
E ellas acham-no tão guapo...
Velhinha ou moça que veja,
Por mais esquiva que seja,
Tlim!
Papo.
E a cegueira da justiça
Como elle a tira n'um ai!
E sem pegar n'uma pinça;
É só dizer-lhe: ahi vai...
Operação melindrosa
Que não é lá qualquer coisa;
Catarata! tome conta:
Pois não faz mais do que isto,