Flores do Campo
Descalça!
Ou se mais lhe peço,
Do que vêr-te a ti;
A ti que amo tanto
Como a flôr a luz,
Como a ave o canto,
E o Cordeiro a cruz,
E a campa o cypreste,
E a rola o seu par,
Lagrima celeste!
Perola do mar!
Coimbra.
DESCALÇA!
Quem és, que ao vêr-te o coração suspira,
E em puro amor desfaz-se!
Raio crepuscular do sol que nasce,
De lampada que expira!
Como os teus pés são lindos! como é dôce
A curva do teu peito!
Oh! se o meu coração fosse o teu leito,
E o teu amado eu fosse!
Que preciosas perolas descobre
Teu meigo humido labio!
E, virgem! como Deus foi justo e sabio
Em te fazer tão pobre!
Não tens fofo velludo onde se atole
Tua angelica imagem;