Flores do Campo
Á Vista D'um Retrato
N'este profundo val,
Não sei nem bem mal.
Guiai-me pois, estrellas do Senhor!
E a jura que vos faço
É que na terra não darei um passo
Senão só por amor
Do vosso resplendor!—
Ellas então sorrindo-se, que eu vi,
Tão meigas e suaves!
Voaram como duas lindas aves;
Indo poisar ahi...
N'esse teu rosto... em ti!
Lisboa.
Á VISTA D'UM RETRATO
Amo-te, flôr! Se te amo, Deus que o sabe
Que o diga a teus irmãos, que o céo povoam,
E ebrios de gloria canticos entoam
A quem no mar, na terra e céos não cabe.
Se te amo, flôr! que o diga o mar—que expelle
Quanto é dominio, beija humilde a praia:
Se mal que a lua lá das ondas sáia
Nas rochas me não vê gemer com elle.
Amo-te, flôr! se te amo, o sol que o diga!
Quanto lá da montanha aos céos se eleva,
Se entre os vermes do pó que o vento leva,
Me banha a mim tambem na luz amiga.