Flores do Campo

João de Deus · Capítulo 49 de 79

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Flores do Campo

A Victoria Colonna

 

Não sei que ha de divino, força é crêl-o

N'esses teus olhos d'uma luz tão pura

Que, ao vêl-os, tive logo por segura

Aquella paz que é meu constante anhelo.

Filha de Deus, nossa alma aspira a vêl-o;

Desprezando caduca formosura,

Ella, em seu giro eterno, só procura

A fórma, o typo universal do bello.

Não póde amar, não deve, uma alma casta

Fugaz belleza, graça transitoria,

Coisa que o tempo leva, o tempo gasta.

Nem tambem alma digna de memoria

Póde amar o prazer, que o bruto arrasta,

Em vez do puro amor—sombra da gloria.

M -A .

 

Coimbra.

 

N'UM CONVENTO

 

Como a agua em funda gruta

Gotta a gotta filtra e cái,

Sem saber quem isso escuta

O que lá por dentro vai:

Como ao longe incerta e baça

N'uma igreja alveja a luz,