Flores do Campo

João de Deus · Capítulo 7 de 79

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Flores do Campo

Amor

 

Amo-te muito, muito.

Reluz-me o paraiso

N'um teu olhar fortuito,

N'um teu fugaz sorriso.

Quando em silencio finges

Que um beijo foi furtado

E o rosto desmaiado

De côr de rosa tinges;

Dir-se-ha que a rosa deve

Assim ficar com pejo,

Quando a furtar-lhe um beijo

O zephyro se atreve;

E ás vezes que te assalta

Não sei que idéa, joven!

Que o rosto se te esmalta

De lagrimas que chovem;

Que fogo é que em ti lavra

E as forças te aniquila,

Que choras, mas tranquilla,

E nem uma palavra?

Oh! se essa mudez tua

É como a que eu conservo,

Lá quando á noite observo

O que no céo fluctua;

Ou quando, á luz que adoro,

Ás horas do infinito,

Nas rochas de granito

Os braços cruzo e chóro;