Flores do Campo

João de Deus · Capítulo 70 de 79

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Flores do Campo

A Sulamense

Quando has-de tu, meu amor!

Andar então passeando?

Ouve lá que estamos sós,

E aqui não ha quem nos oiça:

Vês esta fresta? é um gosto

Até pela pedra ensossa

Vêr assomar o teu rosto,

Ouvir essa linda voz.

 

A SULAMENSE

—Toda em flôr, como está bella!

Mas lá o ter flôr que monta?

Se as boas das raposinhas

A tomam á sua conta,

Depois a uva que é d'ella?

Bons laços se lhe hão-de armar,

Que ellas dão cabo das vinhas

Se ninguem as apanhar.

Tu és meu; e eu tambem

Sou tua, de mais ninguem.

Nós somos como um casal

De corcinhas, com effeito;

Andamos sempre a vêr qual

Guarda ao outro mais respeito

E lhe ha-de ser mais leal.

Logo ali de manhãsinha,

Ou pela fresca, á tardinha,

Quando a corça e o veado

Volta aos valles de Belher,

Cá ficas sendo esperado:

Não te esqueça, haja cuidado,

Vê lá o que has-de fazer.