O Alfageme de Santarém

Almeida Garrett · Capítulo 14 de 46

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O Alfageme de Santarém

Ato Ii

 

CENA I

Joana, Serafina, em coro com as outras donzelas do Alfageme que estão às portas e janelas da casa, mostrando as várias peças de armadura, espadas, montantes, etc.; aos cavaleiros em coro, que de fora as examinam e falam para dentro como quem apreça e quer comprar.

CORO DOS CAVALEIROS

Oh que ricos arneses brilhantes,

Oh que belas espadas cortantes!

São lindas, lindas!

JOANA

Meus nobres senhores,

Feirai, feirai, feirai;

São lindas, lindas, comprai.

CORO DAS DONZELAS

Feirai, feirai, meus nobres senhores:

São lindas armas.

CORO DOS CAVALEIROS

Feiremos de amores,

Que mais lindas são.

SERAFINA

Pois este montante?

UM CAVALEIRO

Cortante!

JOANA

Este morrião?

 

OUTRO CAVALEIRO

Brilhante!

CORO DOS CAVALEIROS

Mais brilham, mais cortam no meu coração Armas desses olhos.

CORO DAS DONZELAS

Feirai, meus senhores

CORO DOS CAVALEIROS

Feiremos de amores.

CORO DAS DONZELAS

Não há desse trato aqui, não, não, não.

JOANA

Há lanças e espadas,

Cotas e pavezes,

Grevas e celadas

E os peitos que temos...

(Tocando nos peitos de armas)

Não têm coração;

São de aço...

ALGUNS CAVALEIROS (querendo abraçá-las) Provemos!

ALGUMAS DONZELAS (repelindo-os) Provados estão.

CORO DOS CAVALEIROS

Oh que ricos arneses brilhantes,

Oh que belas espadas cortantes!

São lindas, lindas!

CORO DAS DONZELAS

Meus nobres senhores, feirai, feirai!

CORO DOS CAVALEIROS

Feiremos de amores.

JOANA e SERAFINA

Lindas armas!

DOIS CAVALEIROS

Lindos mercadores!

CORO DAS DONZELAS

Pois feirai.

UM CAVALEIRO

Feiremos de amores;

Dar-vos-ei em troca o meu coração.

CORO DAS DONZELAS

Não há desse trato aqui, não, não, não.

(As donzelas vão recolhendo as armas; alguns dos cavaleiros se vão dispersando, outros galanteiam ainda com as donzelas; mas estas desaparecem de todo, e os cavaleiros se dispersam e retiram por fim)