O Alfageme de Santarém
Ato Ii
CENA I
Joana, Serafina, em coro com as outras donzelas do Alfageme que estão às portas e janelas da casa, mostrando as várias peças de armadura, espadas, montantes, etc.; aos cavaleiros em coro, que de fora as examinam e falam para dentro como quem apreça e quer comprar.
CORO DOS CAVALEIROS
Oh que ricos arneses brilhantes,
Oh que belas espadas cortantes!
São lindas, lindas!
JOANA
Meus nobres senhores,
Feirai, feirai, feirai;
São lindas, lindas, comprai.
CORO DAS DONZELAS
Feirai, feirai, meus nobres senhores:
São lindas armas.
CORO DOS CAVALEIROS
Feiremos de amores,
Que mais lindas são.
SERAFINA
Pois este montante?
UM CAVALEIRO
Cortante!
JOANA
Este morrião?
OUTRO CAVALEIRO
Brilhante!
CORO DOS CAVALEIROS
Mais brilham, mais cortam no meu coração Armas desses olhos.
CORO DAS DONZELAS
Feirai, meus senhores
CORO DOS CAVALEIROS
Feiremos de amores.
CORO DAS DONZELAS
Não há desse trato aqui, não, não, não.
JOANA
Há lanças e espadas,
Cotas e pavezes,
Grevas e celadas
E os peitos que temos...
(Tocando nos peitos de armas)
Não têm coração;
São de aço...
ALGUNS CAVALEIROS (querendo abraçá-las) Provemos!
ALGUMAS DONZELAS (repelindo-os) Provados estão.
CORO DOS CAVALEIROS
Oh que ricos arneses brilhantes,
Oh que belas espadas cortantes!
São lindas, lindas!
CORO DAS DONZELAS
Meus nobres senhores, feirai, feirai!
CORO DOS CAVALEIROS
Feiremos de amores.
JOANA e SERAFINA
Lindas armas!
DOIS CAVALEIROS
Lindos mercadores!
CORO DAS DONZELAS
Pois feirai.
UM CAVALEIRO
Feiremos de amores;
Dar-vos-ei em troca o meu coração.
CORO DAS DONZELAS
Não há desse trato aqui, não, não, não.
(As donzelas vão recolhendo as armas; alguns dos cavaleiros se vão dispersando, outros galanteiam ainda com as donzelas; mas estas desaparecem de todo, e os cavaleiros se dispersam e retiram por fim)