O Alfageme de Santarém

Almeida Garrett · Capítulo 37 de 46

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O Alfageme de Santarém

Cena Vii

Alfageme, Alda, Froilão Dias.

 

ALFAGEME (falando consigo) Eu soldado do Mestre de Avis! Eu servir o príncipe ingrato que enganou o povo! Eu apresentar-me diante do... do seu Condestável, e dizer-lhe... o quê?

ALDA

O quê, Fernando! – O que te pede o coração, o que eu nele estou lendo, porque o conheço, Fernando; o que uma falsa, uma viciosa vergonha te não deixa vir aos lábios.

ALFAGEME

Que dizes tu, mulher?

ALDA

O que é verdade, Fernando. – Cuidas que eu sou ainda uma criança, aquela donzela fraca e tímida que, só de ouvir falar nestas coisas, se assustava? – Já sou mãe, Fernando, e já sou tua mulher há dois anos; e de dia a dia aprendo cada vez mais a estimar-te como devo, a amar-te como me pede o coração. – Agora amo-te, Fernando, ouve-me, amo-te como nunca amei.

ALFAGEME (abraçando-a)

Bem-vinda sejas, desgraça, que tamanha felicidade me trouxeste.

FROILÃO

Ora pois, chorem aí um bocado; despeçam-se à vontade, que eu vou ver o pequeno e já venho.