O Alfageme de Santarém
Cena Vii
Alfageme, Alda, Froilão Dias.
ALFAGEME (falando consigo) Eu soldado do Mestre de Avis! Eu servir o príncipe ingrato que enganou o povo! Eu apresentar-me diante do... do seu Condestável, e dizer-lhe... o quê?
ALDA
O quê, Fernando! – O que te pede o coração, o que eu nele estou lendo, porque o conheço, Fernando; o que uma falsa, uma viciosa vergonha te não deixa vir aos lábios.
ALFAGEME
Que dizes tu, mulher?
ALDA
O que é verdade, Fernando. – Cuidas que eu sou ainda uma criança, aquela donzela fraca e tímida que, só de ouvir falar nestas coisas, se assustava? – Já sou mãe, Fernando, e já sou tua mulher há dois anos; e de dia a dia aprendo cada vez mais a estimar-te como devo, a amar-te como me pede o coração. – Agora amo-te, Fernando, ouve-me, amo-te como nunca amei.
ALFAGEME (abraçando-a)
Bem-vinda sejas, desgraça, que tamanha felicidade me trouxeste.
FROILÃO
Ora pois, chorem aí um bocado; despeçam-se à vontade, que eu vou ver o pequeno e já venho.