O Alfageme de Santarém

Almeida Garrett · Capítulo 25 de 46

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O Alfageme de Santarém

Cena Vii

Mendo Pais.

E não se engana, que para eu morrer de amores por ela, para a eu preferir a todas as mulheres deste mundo, não lhe falta senão essa virtude que todas as outras realça: um dote honesto e decente. – Beleza, graças, donaire, tudo me arrebata na rica priminha. Mas casar... minha pobre Alda, isso agora!.. Virtude... virtude tem ela de mais! e fraca esperança posso eu ter... – E daí, quem sabe? ela não tem dote... – Se a quererá mesmo assim o alfageme? – Quer, quer, que não é homem de reparar nessas coisas. E também, com o cabedal que ele tem, pode fazer o que quiser. – Um vilão rico como um senhor! E eu pobre, miserável, e devendo-lhe uma soma que nem eu já sei. – E preciso livrar-me dele e da dívida. Veremos: estes tempos de alterações são ótimos para a gente se arranjar. (Olhando para o fundo da cena) – Aí vem Nuno Álvares Pereira. Vou-me antes que me veja, que tenho medo dele. Não sei o que tem nos olhos aquele moço que parece ler no coração da gente. Desconfio que me conheça, que perceba que me finjo tão afeiçoado ao Mestre de Avis porque assim me faz jeito para servir melhor o meu partido. – O partido da rainha! Sou do partido da rainha, sou. Por quem havia de eu ser? Sou pela rainha, porque ela tem os exércitos de el-rei de Castela atrás de si, e por fim é quem há de vencer, deixá-los andar.