O Alfageme de Santarém

Almeida Garrett · Capítulo 7 de 46

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O Alfageme de Santarém

Cena V

 

ALFAGEME (só)

Esta mulher e má. – Agora conheço que nunca a amei, nem ela a mim. – É má e vaidosa; queria-me para escravo de seus caprichos, detesta-me porque eu o não quis ser. – Quer-se vingar... de quê?... se foi ela a que... me desprezou, que antes quis a vergonha de... do que degradar-se a ser a mulher de um homem do povo... Não me acusa a consciência: adeus! – Oh! mas aí vem o santo velho do nosso capelão. Isto é que é um honrado clérigo. Uma virtude alegre que não pesa, que chama a gente. (Falando para dentro das oficinas) Raparigas, aí vem o nosso padre Froilão. – Morrem por ele todas. – Ele aí vem de dizer a sua missa, e de rezar o ofício da manhã. Coitado, como ele vem cansado! Estamos em dezembro, e o sol queima como de verão. Mas já ele vem a rir. E sempre aquela santa paz, aquela alegria do céu.