O Alfageme de Santarém
Cena Iv
Nuno Álvares, o Alfageme e Mendo Pais.
MENDO
Alvíssaras, alvíssaras! Ganho-as eu? dizei-me. Não sabeis ainda as novas?
NUNO ÁLVARES
Quais?
MENDO
Ah! Não sabeis; já vejo. – A rainha... o Mestre... (Reparando em Nuno Álvares) – Oh! senhor D. Nuno, perdoai que vos não conhecia com o alvoroço, perdoai. – O senhor D. João, vosso amo, aquele grande príncipe, verdadeiro filho de el-rei D. Pedro, sangue de Pedro Justiceiro!...
NUNO ÁLVARES
Que lhe sucedeu? Dizei, por vossa alma.
MENDO
Eu fui logo oferecer-me ao serviço do Mestre, que me deu esta carta para vós, senhor D. Nuno,
NUNO ÁLVARES
Dai, dai depressa. (Toma a carta e abre)
MENDO
Oh que grande príncipe! Aquele infame conde Andeiro...
ALFAGEME
O conde Andeiro?...
MENDO (reparando no alfageme)
Oh! Fernão Vaz, meu colaço, também vos não tinha visto. Se eu ainda não estou em mim. Parabéns, homem. Tínheis razão, Fernando: eu é que... Mas, bem vos haveis de lembrar... não podia crer, parecia-me impossível. Enfim...
ALFAGEME
Enfim explicai-vos. O conde Andeiro?
NUNO ÁLVARES (levantando os olhos da carta que está lendo) O Mestre?...
MENDO
Morto, morto vilmente como...
NUNO ÁLVARES e ALFAGEME (a um tempo) Quem? quem?
MENDO
João Fernandes Andeiro, o conde de Ourém.
ALFAGEME
Vitória, vitória! A justiça de Deus que por fim começa.
NUNO ÁLVARES (tristemente) Começado está. Quando acabará agora?