O Alfageme de Santarém

Almeida Garrett · Capítulo 17 de 46

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O Alfageme de Santarém

Cena Iv

Nuno Álvares, o Alfageme e Mendo Pais.

MENDO

Alvíssaras, alvíssaras! Ganho-as eu? dizei-me. Não sabeis ainda as novas?

NUNO ÁLVARES

Quais?

MENDO

Ah! Não sabeis; já vejo. – A rainha... o Mestre... (Reparando em Nuno Álvares) – Oh! senhor D. Nuno, perdoai que vos não conhecia com o alvoroço, perdoai. – O senhor D. João, vosso amo, aquele grande príncipe, verdadeiro filho de el-rei D. Pedro, sangue de Pedro Justiceiro!...

NUNO ÁLVARES

Que lhe sucedeu? Dizei, por vossa alma.

MENDO

Eu fui logo oferecer-me ao serviço do Mestre, que me deu esta carta para vós, senhor D. Nuno,

NUNO ÁLVARES

Dai, dai depressa. (Toma a carta e abre)

MENDO

Oh que grande príncipe! Aquele infame conde Andeiro...

ALFAGEME

O conde Andeiro?...

MENDO (reparando no alfageme)

Oh! Fernão Vaz, meu colaço, também vos não tinha visto. Se eu ainda não estou em mim. Parabéns, homem. Tínheis razão, Fernando: eu é que... Mas, bem vos haveis de lembrar... não podia crer, parecia-me impossível. Enfim...

ALFAGEME

Enfim explicai-vos. O conde Andeiro?

NUNO ÁLVARES (levantando os olhos da carta que está lendo) O Mestre?...

MENDO

Morto, morto vilmente como...

NUNO ÁLVARES e ALFAGEME (a um tempo) Quem? quem?

MENDO

João Fernandes Andeiro, o conde de Ourém.

ALFAGEME

Vitória, vitória! A justiça de Deus que por fim começa.

NUNO ÁLVARES (tristemente) Começado está. Quando acabará agora?