O Alfageme de Santarém
Cena Iv
Froilão Dias, Alfageme, Guiomar e Mendo Pais chegando ao alto da
escada.
FROILÃO
Ora vinde cá.
ALFAGEME
Dizei o que quereis.
(Conversam em voz baixa para um lado)
GUIOMAR (a Mendo)
Fica tu, Mendo; que eu vou ver a doente. Logo me explicarás tudo isso, e eu te acabarei também de informar do que por cá vai. – Mas apesar do pouco bem que lhe quero, não posso deixar de a ir ver.
MENDO
A quem, a Alda? Pois tão mal está?
GUIOMAR
Não: é coisa que logo lhe passa. É sujeita a esses estremecimentos que dizem – mal de coração. Na verdade o que é, é que está derrancada da boa vida em que a criaram para fidalga. – A filha do mordomo de Álvaro Gonçalves, com efeito!
MENDO
Nossa prima ainda.
GUIOMAR
Mas que prima! Já nem se lhe sabe o grau. Como é delicada aquela Senhora! Só de ver o mano... está forte mano! o mano Nuno... lhe deram aqueles enturvamentos de cabeça. – Boa mulher de casa para um homem de trabalho, que precisa de lidar!
MENDO
Sim, que tu noutro tempo... Mas isso já lá vai. – Pois com efeito, Fernão Vaz?
GUIOMAR
Logo te direi tudo; e avisaremos no que se há de fazer.
MENDO
E Nuno Álvares?
GUIOMAR
Chegou hoje do Alentejo, poucas horas antes que tu chegasses de Lisboa; encontrou-a em requebros com o alfageme – e daí é que foram aqueles desmaios. – O amor dos manos ainda é o mesmo de parte a parte. Mas aí há coisas. Froilão, Froilão é que anda tecendo isto. Vês? Eles ali estão a cochichar. (Apontando para onde está oalfageme com Froilão) – Olha se percebes alguma coisa, e logo falaremos.