O Alfageme de Santarém

Almeida Garrett · Capítulo 40 de 46

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O Alfageme de Santarém

Cena X

Alda, Froilão Dias.

 

FROILÃO (sai, entoando, com o breviário na mão) Nunc dimittis servum tuum in pace; quia viderunt oculi mei... (Repara na falta do Alfageme) Que é do Alfageme?

ALDA (tristemente e apontando para o fundo) Vede-o: ele acolá vai com a sua gente toda que lhe voltou, que lhe veio pedir perdão, que o leva em triunfo.

FROILÃO

E onde vai ele, onde é que vão agora?

ALDA

Para o Condestável, meu tio, para o exército do mestre de Avis.

FROILÃO

Foi, resolveu-se? – Ele é verdade que já agora... Mas, ih Jesus! Não sei o que me diz o coração. Ai filha, filha!

ALDA

Receais que vençam os castelhanos?

FROILÃO

Espero em Deus que não. – Mas eles parece que são tantos!

ALDA

Que importa; não hão de vencer: tenho fé.

FROILÃO

Também eu. Mas o pior agora e que tu estás aqui só – porque eu... eu sinto-me... (Cai tomado de paralisia, nos braços de Alda, que o senta em um banco e lhe fica amparando o corpo)

ALDA

Meu querido tio! tomai a vós. – Não me ouve. – Ouvis? (Froilão acena que ouve) Não se pode mover. – Oh! Virgem bendita! que mal o tomou de repente! E eu só... só... – Fernando que partiu sem lhe tomar a bênção! – Ai Jesus! e ninguém que me ajude, ninguém que me acuda!

CORO (ouve-se ao longe o estribilho da canção do Alfageme) Alfageme, a pátria te espera,

Deixa a forja! – leva o coração!

ALDA

A pátria, a pátria... Ah! (Ajoelha diante de Froilão que lhe põe a mão sobre a fronte: ela abraça o tio)