O Alfageme de Santarém
Cena X
Alda, Froilão Dias.
FROILÃO (sai, entoando, com o breviário na mão) Nunc dimittis servum tuum in pace; quia viderunt oculi mei... (Repara na falta do Alfageme) Que é do Alfageme?
ALDA (tristemente e apontando para o fundo) Vede-o: ele acolá vai com a sua gente toda que lhe voltou, que lhe veio pedir perdão, que o leva em triunfo.
FROILÃO
E onde vai ele, onde é que vão agora?
ALDA
Para o Condestável, meu tio, para o exército do mestre de Avis.
FROILÃO
Foi, resolveu-se? – Ele é verdade que já agora... Mas, ih Jesus! Não sei o que me diz o coração. Ai filha, filha!
ALDA
Receais que vençam os castelhanos?
FROILÃO
Espero em Deus que não. – Mas eles parece que são tantos!
ALDA
Que importa; não hão de vencer: tenho fé.
FROILÃO
Também eu. Mas o pior agora e que tu estás aqui só – porque eu... eu sinto-me... (Cai tomado de paralisia, nos braços de Alda, que o senta em um banco e lhe fica amparando o corpo)
ALDA
Meu querido tio! tomai a vós. – Não me ouve. – Ouvis? (Froilão acena que ouve) Não se pode mover. – Oh! Virgem bendita! que mal o tomou de repente! E eu só... só... – Fernando que partiu sem lhe tomar a bênção! – Ai Jesus! e ninguém que me ajude, ninguém que me acuda!
CORO (ouve-se ao longe o estribilho da canção do Alfageme) Alfageme, a pátria te espera,
Deixa a forja! – leva o coração!
ALDA
A pátria, a pátria... Ah! (Ajoelha diante de Froilão que lhe põe a mão sobre a fronte: ela abraça o tio)