Pátria

Guerra Junqueiro · Capítulo 26 de 79

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Pátria

Scena Vi

São suspiros mortos…

Deixem-nos cantar… deixem-nos cantar!…

 

O REI:

O doido! o doido! o doido!

 

A MESMA VOZ, na escuridão:

Não lhes tenham mêdo… deixem-nos cantar…

SCENA VI

 

Entram Ciganus e Opiparus acompanhando o fantasma, em meio de escudeiros armados e com archotes. O doido aparece tal qual o descrevemos: enorme, cadavérico, envolto em farrapos, as longas barbas brancas flutuando. Numa das mãos o bordão. Na outra um vélho livro em pedaços. Lembra um doido e um profeta, D. Quixote e o rei Lear. O olhar, cavo e misterioso, é de sonâmbulo e de vidente. O rei empalidece como um sudário. Os cães ululam, furiosos e trémulos.

 

CIGANUS:

Eis o doido… É curioso êste Matusalem… Como se chama? onde nasceu? de onde vem? Ignora tudo… Canta e soluça…

 

OPIPARUS:

De resto,

Não tem fúrias, nem anda armado: um doido honesto.