Pátria

Guerra Junqueiro · Capítulo 9 de 79

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Pátria

Opiparus:

Sensualismo e patranha, indif'rença e vaidade, Gabarola balofo e glutão, sem vontade,

Às vezes moralista, (acessos de moral,

Que lhe passam jantando e não nos fazem mal) Eis el-rei. Um egoismo obeso, alegre e loiro, Unto já de concurso e de medalha d'oiro. Termina a dinastia; e Deus, que a fez tamanha, Põe-lhe um ponto final de oito arrobas de banha… Laus Deo!

 

MAGNUS:

Que má língua! El-rei, coitado! uma criança, Nem leve culpa tem nos encargos da herança… Não se aprende num dia a governar um povo… E em casos tais, em tal momento, um homem novo, Habituado á lisonja, habituado ao prazer… Maravilhas ninguêm as faz… não pode ser!… El-rei é bom! El-rei é um espírito culto,

Ilustrado… Não digo, emfim, que seja um vulto, Um talento, uma coisa grande de espantar; Mostra, porêm, cordura, o que não é vulgar… Cordura e senso… Eu falo e falo com razão… Não minto… sou cortês, nunca fui cortesão! Duque e plebeu… vim do trabalho honrado que magôa… Não lisonjeio o povo e não adulo a C'roa. Os defeitos d'el-rei?… Não me custa o dizê-lo: Eu quisera maior int'resse… maior zêlo…