Pátria

Guerra Junqueiro · Capítulo 63 de 79

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Pátria

O Rei:

A terra levou-a… deixou-me só fragas…

Deixou-me só fragas, para as eu calcar… Peguei na minha dor, botei-a às fragas… Não tinha mais que semear!

O que viria, o que viria

Da minha dor na primavera a rebentar?… Um tronco despido me brotou das fragas, (Que singular! que singular!)

Um tronco despido,

Sem ramos, sem fôlhas… um tronco no ar! Depois medrou tanto, como por encanto, Que andadas três luas era secular!

E nem uma fôlha e nem um raminho,

Onde um passarinho poisasse a cantar!… Um tronco no ar!

Mas de repente, de repente

Deitou dois braços, logo um par!

Braços estendidos, abertos e nus,

Como que a chamar… como que a chamar… Mas, oh Deus! que vejo! uma perfeita cruz, Uma cruz erguida sôbre um grande altar!… Minha dor nas fragas, entre uns estilhaços De rochedos duros no que veio a dar!…

………………………………………

Inda bem! Ora inda bem que já no mundo há braços, Para me abraçar!…

 

O REI:

Já 'stou farto de cantochões, de ventania E dos agoiros!… Passa das três; é quási dia… Vamos dormir…

 

Apontando o pergaminho:

 

Cá deixo esta léria assinada.

Falaremos depois. Rendez-vous na toirada.