Pátria
Ciganus:
A miséria é lama, é sangue, e é pranto, A fermentar em crime e em veneno. Portanto Precisa esgôto; quer-se um esgôto e despejá-la Contínuamente num porão ou numa vala. Emigrar ou morrer; degrêdo ou cemitério. O hálito da pobreza imunda é deletério.
De trapos de mendigo e lençóis de vilão
Faz a anarquia flamejante o seu pendão. Curta distância vai da indigência à rapina, Da mão que implora à que estrangula e que assassina. Dorme em cada esfaimado um tigre. Há que evitar Na rua aglomerações de ventres sem jantar. A miséria despeja-a Deus, a Providência, Do seu vaso nocturno ao saguão da existência. Que fazer contra a lei de Deus, contra o Destino? Arredar para longe o excremente divino,
Para bem longe, de maneira que a infecção Não nos perturbe a nós, Senhor, a digestão…
O REI:
É triste, mas emfim que remédio lhe dar?!