Pátria

Guerra Junqueiro · Capítulo 55 de 79

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Pátria

Opiparus:

Comer, beber, dormir, jogar, caçar, dançar! Festas, Senhor! Muitas e vãs, loucas e várias! Não há jantar? Função. Não há pão? Luminárias. A pobreza anda rôta, a canalha anda nua? Girândolas ao ar e músicas na rua.

A fome e a dor bramem de noite, uivam nas eiras? Matinadas, clarins, vivas ao rei, bandeiras. Alegria! gozar! folgar! nada de luto!

Bombas! Salvem canhões de minuto a minuto! E a cada grito de miséria ou de estertor

O cantar dum Te-Deum e o rufar dum tambor. Dê-se à plebe faminta uma estrondosa orgia, Um banquete real, monstro,—em scenografia! Que bela idéa! Armar de improviso um galeão, —Tábuas, cinábrio, gêsso, andrinopla e cartão,— Pô-lo em rodas, tirado a parelhas d'Alter,

A côrte dentro, o patriarca, o chanceler,

El-rei de c'roa d'oiro, a raínha taful,

Asas novas de arcanjo, uma branca outra azul, Eu ao leme, pendões, músicas, auriflamas, Bispos e generais, o núncio, arautos, damas, Com brilhantes a arder em veludo e em brocado, —Tripulação emfim de baixel encantado, A navegar de rua em rua, e praça em praça, Atirando à miséria, à nudez, à desgraça,

A carga inteira a plenas mãos: lôdo em confeitos, Gargalhadas, sermões de entrudo (alguns perfeitos!) Drogas de charlatães, ditos de saltimbanco, Cinza, areia, impudor, fome… e notas de banco! …………………………………………