Pátria
Magnus:
Hoje não!… Só em pequenas dozes…
Falta o melhor… São mais as vozes do que as nozes…
O REI, gracejando:
Mas o que a mim me espanta, e não entra na bola, É sair-nos o duque um perfeito carola!
Se a raínha estivesse, inda d'acôrdo, admito… Mas entre homens prègar sermões acho esquisito, Meu caro duque… Estou a vê-lo qualquer ano, Entrapado em burel, frade varatojano!
MAGNUS, solene:
Distingo, meu Senhor, distingo: sou cristão, Co'as rédeas do govêrno e do poder na mão. Católico e de lei, sob o ponto de vista
Administrativo, e nada mais. Como estadista, Eu considero a Igreja uma pedra angular Da ordem! Quero o trono achegado ao altar! A Igreja tem prestígio! a Igreja é um sustentáculo! Convêm ao scetro ainda a amizade do báculo! O homem público em mim, o defensor da C'roa, É desta opinião. Sustento-a e julgo-a bôa. Mas cá dentro, no fôro interno, a sós comigo, Eu, o particular e o filósofo, digo-o
Alto e bom som, digo-o de cara e sem temor: Não há ninguêm! ninguêm! mais livre pensador!