Pátria
Ciganus:
Mas ai! que serve olhar, se os olhos são janelas, E se a alma é quem vê, quem espreita por elas!… Fica a olhar… fica a olhar, hesitante e perplexo, Balbucia, articula umas coisas sem nexo, E, por fim, taciturno e torvo, aniquilado,
Como quem vislumbreia, horror!, o seu estado, Fita as nuvens do azul… fita as ondas do mar… E desata, em silêncio, a chorar!… a chorar!… E depois vem a noite… e ali dorme ao relento, Desamparado, abandonado, ao frio, ao vento, Té que algum pescador, de manhã, pela mão O recolha ao seu lar e lhe dê do seu pão!… ………………………………………
CIGANUS:
Bem o dizia eu… bem o dizia eu…
Êste cronista não regula… endoideceu!
Que histórias que êle inventa, o mágico!…
OPIPARUS:
Perlendas
De visionário tonto, inquiridor de lendas… Vagueiam-lhe no caco obscuro, entre miasmas, Lemures, avejões, duendes, monstros, fantasmas…
CIGANUS: