Pátria

Guerra Junqueiro · Capítulo 59 de 79

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Pátria

O Rei:

Iluminado à noite a faróis Jablokoff!

Que maravilha! que surpresa! que grandeza! E que tesoiros nesta rica natureza,

Cultivando-a a primor! Em logar d'erva e searas, Plantas de luxo: coisas finas, coisas caras. Eu imagino, (dando os máximos descontos) Que o reino lucrará uns trezentos mil contos, Sómente a produzir, ao ar livre e em estufas, Ananazes, faisões, ópio, champagne e trufas.

 

Relâmpagos e trovões. Paisagem deserta. A nau fantasma,

cortada a amarra, bamboleia nas ondas, prestes a largar. Uma sombra disforme, como de ave gigante, voa na escuridão.

 

O REI:

Um bacamarte! uma clavina! uma escopeta!… Cheguem daí… salta depressa uma escopeta! Salta depressa! que vão ver como rebento Às escuras aquela águia… É num momento Já duma ocasião, (que pontaria a minha!) Com um balásio matei oito: iam em linha. A escopeta, marquês!