Pátria
O Rei:
Asas carnívoras em bando
Poisam nas vêrgas crucitando…
Que levas, dize, no porão?…
Teu cavername exala miasmas,
Teus marinheiros são fantasmas…
Que levas, dize, no porão?…
Teu pendão negro vai a rastros,
São cruzes negras os teus mastros…
Que levas, dize, no porão?…
—Dentro do esquife, amortalhada,
Levo uma pátria assassinada,
No meu porão!…
O REI:
Êste ladrão do doido irrita-me! é demais!
Não se cala, caramba! é demais! é demais! Já não posso… Marquês, se o diabo me enfernisa, Outra noite co'a lenga-lenga; uma camisa De fôrças, bom vergalho, e, sem dó nem piedade, Enxòvia ou masmorra onde grite à vontade.
Abre um relâmpago o horizonte. As carcassas nuas dos
enforcados baloiçam ao vento nas árvores despidas. Nem viv'alma. No cêrro dum monte erguem os piratas uma cruz descomunal, manchada de sangue. Uivam os cães.