Prazeres Violentos

Chloe Gong · Capítulo 20 de 40

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Prazeres Violentos

Dezoito

— Alisa! — berrou, escancarando as portas. — Alisa!

Ele correu derrapando até a sala de emergência, com uma das mãos erguidas para bloquear a luz das fortes lâmpadas frouxamente penduradas no teto. Ninguém reclamou de sua presença. Estavam muito ocupados imobilizando o corpo convulsivo de Alisa, mantendo-a presa por tempo suficiente para que uma injeção lhe penetrasse o pescoço. Ela ficou mole em questão de segundos, com as mechas manchadas de sangue de seu cabelo fino e loiro caindo sobre os olhos.

— O que vocês fizeram com ela? — Roma exigiu saber, projetando-se para frente. Ele ajeitou o cabelo dela, engolindo o nó na garganta. As pálpebras de sua irmãzinha

— tão pálidas e translúcidas sob aquela luz que suas veias azuladas se destacavam — agitaram-se brevemente e então se fecharam.

O médico, o mesmo que o trancara do lado de fora e lhe certificara que manteria sua irmã segura, pigarreou. Roma o fitou, mal contendo sua raiva.

— Nós demos essa injeção para induzi-la ao coma — o médico contraiu os lábios e coçou a testa vigorosamente, como se pensasse através de uma névoa em sua mente. —

Eu… nós… — pigarreou de novo e reformulou. — Nós não

sabemos o que houve com ela. Ela deve ficar inconsciente até que haja uma cura.

Dezoito Roma desceu as escadas. Embora seu corpo físico o tivesse levado até ali, tivesse agradecido o bartender com um aceno e erguido a cortina nos fundos do bar, sua mente estava a quilômetros de distância, pairando do lado de fora do quarto do hospital e observando Alisa em seu coma induzido — braços e pernas amarrados ao leito para sua própria segurança.

— Sigo invicto!

Com o brado que viera de baixo até as escadas em espiral, a mente de Roma retornou a si e a raiva voltou com força total. Com o sangue fervendo, ele saltou os últimos cinco degraus, aterrissando no assoalho com sonoro baque.

Roma se embrenhou mais fundo no subsolo raso, caminhando pelo espaço abaixo do bar. A construção do lugar drenara quase todos os fundos de seu pai há alguns anos — o piso era irregular devido ao desgaste contínuo e as luzes do teto baixo piscavam aleatoriamente. Cheirava a suor e urina e havia tantas vozes gritando por cima das outras que poderia muito bem ser uma reunião de delinquentes, mas o design exorbitante do lugar não deixava dúvidas. Uma olhada bastava — no ringue ao centro do espaço, nos lampejos da liga de prata nas cordas que delimitavam o ringue — para saber que aquela arena ilegal era um dos investimentos mais valiosos de Lorde Montagov. Não era de se surpreender, já que as taxas de

apostas lá embaixo lhe fizeram recuperar, em semanas, o que havia sido investido.

— Vocês dois não têm nada melhor para fazer do que vir aqui?

Roma sentou-se a uma mesa de espectadores, reparando nas xícaras de cerâmica em frente a Benedikt e Marshall.

— Era isso que eu estava dizendo — respondeu Benedikt.

— Essa é a última vez, prometo — disse Marshall. —

Depois disso… não, pegue ele pelas pernas!

A atenção de Marshall foi atraída momentaneamente pela luta. O público em volta da barreira torcia enquanto o perdedor saía e o vencedor agitava os punhos no ar.

— Físico terrível — resmungou Marshall, desviando o olhar.

Irritado, Roma ergueu a taça que estava à frente de Benedikt e cheirou com cautela seu conteúdo. O primo a tomou de suas mãos.

— Não beba isso — alertou Benedikt.

— Vodka? — perguntou Roma, finalmente identificando o cheiro que serpenteava sob seu nariz. — Numa xícara de chá? Sério?

— Não foi ideia minha.

Marshall se inclinou com um sorriso malicioso.

— Isso, não culpe seu querido primo. Foi minha.

A mesa de repente vibrou com o impacto de outro homem derrubado na arena, fazendo o público gritar e comemorar.

Uma mulher marcava o placar com um pedaço de giz. Em bandos, antes de cada luta, os espectadores corriam até ela com dinheiro para apostar em quem venceria.

Roma não ficou completamente surpreso quando viu Dimitri Voronin entrar no ringue em seguida. Ele parecia ser do tipo que passava todas as horas vagas ali, misturando-se

à imundície que revestia o piso e sentindo-se em casa.

Roma, por sua vez, tinha como objetivo evitar o lugar. Ele apenas desceria até ali se o assunto fosse inadiável, como era o caso agora.

— Eu acabei de falar com meu pai em casa — disse Roma.

Ele virou a cabeça para não ter que ver Dimitri erguer os punhos e mostrar os dentes para o público. — Ele não se importa mais com os surtos. Acha que é uma coisa que pode esperar. Acha que Alisa vai simplesmente acordar e sair dessa quando se cansar de tentar rasgar a garganta.

Era uma meia-verdade. Lorde Montagov não mais desejava investigar os surtos, não por falta de empatia, mas porque Roma pisara em seu calo e o atingira onde mais doía. Sua inércia era uma punição. Por chamar o próprio pai de covarde, Lorde Montagov lhe mostraria o quão covarde podia ser, deixando Alisa definhar.

— Ele é um idiota — Marshall fez uma pausa. — Sem ofensa.

— Não me ofendi — resmungou Roma. Era como se o pai não percebesse que não conseguiria comandar uma máfia sem mafiosos. Lorde Montagov tinha muita confiança em si mesmo; a maior parte, não merecida. Se acontecesse o pior cenário, ele provavelmente pensaria que podia duelar com a morte e exigir seu patrimônio de volta.

— Preciso fazer alguma coisa — Roma levou as mãos à cabeça. — Mas, além de desviar todos os nossos fundos para o laboratório a fim de que Lourens tenha mais recursos para trabalhar na cura…

— Espere — disse Marshall. — Por que esperar Lourens criar uma cura da estaca zero quando há boatos nas ruas de

que alguém já fez uma vacina? Podemos roubar a vacina, fazer nossa pesquisa…

— Não há como sabermos se a vacina é real — cortou Benedikt. — Se você está falando do Larkspur, ele me parece um completo charlatão.

Roma anuiu. Ele também ouvira os rumores, mas eram bobagens — uma simples via de lucrar com o pânico que assolava a cidade. Se médicos treinados mal podiam compreender o processo da insanidade, como um estrangeiro teria idealizado a cura?

— Ainda temos de achar a vítima viva de que Lourens precisa — decidiu Roma —, mas…

O som de ossos sendo quebrados veio do ringue e a mulher gritou para que outro desafiante enfrentasse o

“divino Dimitri Voronin”. Roma sentiu vergonha alheia, desejando bloquear todo aquele barulho.

Da mesa ao lado, um homem levantou-se e correu, cheio de ânimo.

— Porém — Roma tentou prosseguir por cima da barulheira, observando o homem ir com uma careta —, não podemos ficar parados esperando uma cura que Lourens pode ou não descobrir. E, de verdade, estou perdido com relação ao que mais…

Então veio um brado da torcida, não de êxtase com a violência, mas de ultraje e desapontamento. Roma girou, xingando quando viu porque a luta fora interrompida.

Dimitri apontava uma arma ao desafiante seguinte.

Benedikt e Marshall se levantaram, mas Roma rapidamente ergueu a mão, dizendo para se sentarem. O

desafiante de Dimitri, avaliando bem, não era russo. Roma não percebera aquilo, pois o olhou de relance enquanto

estava correndo, mas o cabelo com vaselina denunciava sua nacionalidade norte-americana.

— Calma aí, meu velho — o norte-americano riu, nervoso.

Seu sotaque confirmava a observação de Roma. — Pensei que isso era uma luta, não um duelo no Velho Oeste.

Dimitri fechou a cara, não entendendo o que dissera o norte-americano.

— Comerciantes Escarlates que rastejam para cá encaram as consequências.

Os olhos do desafiante se arregalaram.

— Eu… eu não sou da Sociedade Escarlate.

— Você negocia com a Sociedade Escarlate. Eu vi sua cara no lado de lá.

— Mas eu não sou associado — protestou o homem.

— Nesta cidade, ou você é um, ou é outro.

Roma saltou da cadeira. Lançou um olhar afiado a seus dois amigos, alertando para que não o seguissem, então deu meia-volta, com a face travada em uma expressão áspera. O norte-americano continuava gaguejando no ringue. Dimitri chegou mais perto com sua arma. No momento em que Roma conseguiu passar aos empurrões pelo público e subiu nas cordas, Dimitri estava diretamente de frente ao norte-americano, espumando de raiva.

Por que ele está tão revoltado? Roma se perguntava, sem ironias. Deslizes como aquele podiam ser facilmente ignorados. O homem nem era um verdadeiro Escarlate. Se ele foi estúpido o bastante para entrar num clube de luta dos Rosas Brancas, seu navio provavelmente havia ancorado em Xangai há apenas alguns dias.

Roma pulou no ringue, com passos leves, até que deslizasse entre o norte-americano e o cano da arma de

Dimitri.

— Já basta.

— Cai fora, Roma — vociferou Dimitri. Aproximou mais a arma, em ameaça, até que o metal gelado deixasse uma marca na testa de Roma. — Some daqui. Isso não é da sua conta.

— E se eu não sair? — respondeu Roma, frio. — Vai atirar em mim?

Ali, sob aquelas luzes, cercado por uma multidão de Rosas Brancas, Roma estava mais seguro do que nunca. Havia uma arma em sua cabeça, mas ele não tinha medo. Dimitri tinha apenas uma escolha ali e, com um ouvido atento aos gritos de insatisfação dos espectadores, parecia entender que Roma o havia encurralado. Para Dimitri, talvez Roma fosse o moleque irritante do clã no qual Lorde Montagov não confiava. Para as pessoas ao redor deles, Roma era o herdeiro dos Rosas Brancas — um matador de Escarlates afundado até o pescoço em cada gota de sangue que derramara em nome da vingança. Gostasse ou não, Roma ainda era um Montagov, e Montagoves detinham o poder.

Se Roma disse que o norte-americano não era um Escarlate, ele não era um Escarlate.

Roma gesticulou para que o norte-americano saísse.

Mas, assim que o estrangeiro saiu do ringue, apressando-se para a saída, Dimitri mirou e atirou assim mesmo.

— Não! — rugiu Roma.

O público se tornou um misto cacofônico de vibração e vaias horrorizadas, dividido entre os que secretamente esperavam que Dimitri derramasse o sangue pelo qual ansiavam e os que presenciavam a situação em alerta,

imaginando que papel Roma cumpria ali se Dimitri não lhe desse ouvidos.

Roma passara todo o dia fervendo. Não conseguira fazer os médicos acatarem suas ordens. Não conseguira fazer o pai escutar a razão. Ele era o herdeiro dos Rosas Brancas —

herdeiro de um império do submundo feito de assassinos, gangsteres e comerciantes endurecidos que fugiram de um país devastado pela guerra. Se ele não conseguia manter o respeito, se não conseguia comandá-los nem se alimentar de seus medos, então o que diabos lhe restava?

Dimitri se insubordinara uma vez contra ele e de repente Roma se vira cercado pelo escárnio das pessoas que deveria comandar, visto como se fosse uma criança, não como seu herdeiro. Se Dimitri estivesse no hospital em seu lugar, talvez os médicos tivessem dado ouvidos a ele. Se Dimitri dissesse a Lorde Montagov que os surtos eram uma ameaça maior à cidade do que eles jamais haviam antecipado, Lorde Montagov teria escutado.

O controle de Roma escorregava por seus dedos como finos grãos de areia. Quando fechou o punho, já quase não havia grãos restantes em seu poder. Suas mãos estavam quase vazias.

Se perdesse o respeito daqueles Rosas Brancas à sua volta, perderia seu status. Se não fosse mais Roma Montagov, herdeiro dos Rosas Brancas, então não poderia mais proteger as pessoas que estimava e que queria manter a salvo.

Ele havia fracassado com Alisa.

Não queria continuar fracassando.

— Não toleraremos a Sociedade Escarlate! — Dimitri erguia e abaixava os punhos, e a pistola subia e descia

levianamente, provocando os espectadores. — Vamos matar todos eles!

Há muito tempo, Roma dissera a Juliette que a raiva dela era como um diamante frio. Algo que ela podia guardar com leveza, algo que se colocava sobre outras pessoas, planando por sobre a pele na forma de brilho e glamour antes que percebessem, tarde demais, que o diamante lhes cortara em pedaços. Ele a admirava por isso. Em grande parte porque sua raiva era diametralmente o oposto — uma onda de fogo incontrolável que desconhecia a sutileza.

E a onda acabara de quebrar.

Em dois movimentos velozes, Roma saltou em Dimitri e o desarmou, jogando a arma ao público.

— Você não deu ao norte-americano uma luta justa —

disse Roma. Gesticulou para que Dimitri se aproximasse. —

Então vou deixar você se redimir.

O público gritou em aprovação. Dimitri ficou parado por um segundo, tentando decifrar a motivação de Roma.

Então, com um olhar de relance à multidão em êxtase, estalou o pescoço e investiu.

Roma se recusou a deixar que aquilo se rebaixasse ao monstruoso e bestial agarra-agarra pelo qual lugares como aquele eram conhecidos. Assim que pôs o braço em guarda para o primeiro bloqueio, manteve os pés leves e rápidos, desferindo cada soco de forma calculada. O ringue tremia com a intensidade dos espectadores, o clube inteiro tão revolto que o barulho do local tinha um leve eco.

Para os observadores, tudo era um borrão veloz.

Para Roma, tudo era instinto. Ele havia passado anos treinando com Benedikt e aquilo finalmente estava servindo para algo. Roma trocava do ataque à defesa em instantes;

seu braço direito subia para bloquear um soco e seu braço esquerdo se jogava para socar ao mesmo tempo, encaixando um golpe tão bem no maxilar de Dimitri que o fez cambalear para trás, com olhos maníacos.

Não importava o quão furioso Dimitri estava. Roma não se cansava. Era quase sobrenatural a euforia que corria em seus membros, a necessidade pulsante e absoluta de vencer o favorito, de lembrar às pessoas quem era o verdadeiro Montagov e quem era a fraude, quem merecia a dignidade de ser herdeiro.

E então Dimitri acertou a bochecha de Roma, e algo o atingiu, doendo muito mais que o esperado.

Roma sibilou, cambaleando três passos para trás na tentativa de se recuperar. Dimitri sacudiu os braços, girou os ombros e, sob as luzes, em um lampejo, algo reluziu entre seu indicador e o dedo médio.

Ele tem uma lâmina entre os dedos, Roma percebeu vagamente. Então, como se fosse novidade: Trapaceiro.

— Pronto para desistir? — berrou Dimitri. Bateu no peito.

Roma não conseguia tirar os olhos do reflexo brilhante da lâmina. Ele não podia parar de lutar sem ficar queimado nas ruas. Mas, se fosse em frente, seria preciso apenas um golpe do punho de Dimitri no pescoço de Roma para matá-lo.

O pânico veio à tona. Roma começou a se descuidar.

Dimitri o chutou e Roma foi atingido. Ele viu um punho de relance em sua visão periférica e, na pressa de sair de seu caminho, Roma esquivou em excesso, julgando mal seu equilíbrio e tropeçando. Dimitri atacou novamente. Um lampejo da lâmina: um corte aberto no maxilar de Roma.

O público zombou. Podiam sentir a energia de Roma acabando. Podiam sentir que ele parecia ter desistido da luta antes mesmo de ela terminar.

Você é um Montagov ou um covarde?

Roma ergueu o olhar de volta, enrijecendo o maxilar latejante. Por que raios ele estava lutando tão justo? Em que tipo de mundo iludido ele vivia, no qual os Rosas Brancas queriam alguém que comandasse pela honra, em vez de suor, sangue e violência?

Roma esticou o braço e agarrou um tufo do cabelo preto, na altura dos ombros, de Dimitri. Dimitri não esperava por aquilo. Nem que Roma o golpeasse com uma joelhada bem no meio do nariz, pegasse seu braço e o torcesse para trás até que tivesse agarrado seu pescoço e pisoteado a parte de trás de seus joelhos.

Dimitri caiu seco no chão da arena. O público correu para as cordas, sacudindo, sacudindo e sacudindo o ringue.

Roma o detinha agora. Com as mãos onde estavam, ele poderia quebrar o pescoço de Dimitri se quisesse. Podia fazer qualquer coisa e dizer que foi um mero acidente — um deslize do momento.

— Roma Montagov, nosso vitorioso! — anunciou a mulher com o quadro-negro.

Roma se inclinou para Dimitri, perto o bastante para que Dimitri não pudesse confundir suas palavras por causa do barulho do público.

— Não esqueça quem eu sou.

Com isso, levantou-se, passando com brutalidade o antebraço na boca ensanguentada. Passou agachado pelas cordas e aterrissou firmemente no meio da torcida. Aquele lugar era um pote fervente de emoções e condutas voláteis.

Roma não conseguiu se desvencilhar disso rápido o bastante.

— Você — disparou. Um homem com um lenço branco no bolso ficou atento. — Chame alguém para tirar o corpo do norte-americano daqui.

O homem correu para cumprir a tarefa. Roma voltou a seus amigos, jogando-se no assento com o peso de mil anos.

— Que herói — entoou Marshall.

— Cale a boca — disse Roma. Ele respirou fundo. De novo.

E de novo. Em sua mente, viu o norte-americano tombar ao chão. O corpo imóvel de Alisa. A total ausência de emoção na face do pai.

— Você está bem? — perguntou Benedikt, preocupado.

— Sim, estou — Roma olhou para cima com uma expressão séria. — Podemos voltar ao assunto de antes?

Com Alisa naquele estado — flashes da face da irmã queimavam em sua mente, vívidos, flagrantes e efêmeros

—, preciso de respostas. Se esta insanidade nasceu do mau caráter de alguém, eu preciso caçá-lo.

— Seu pai não o mandou atrás dos Comunistas?

Roma anuiu.

— Mas é um beco sem saída. Aonde quer que vamos, encontramos apenas becos sem saída.

— Podíamos interceder junto à Sociedade Escarlate pela informação deles — Marshall sugeriu. — Dessa vez, com mais armas…

Benedikt tapou a boca de Marshall com a mão, silenciando-o antes que ele pudesse dar mais corda a um plano sem sentido.

— Roma, eu realmente não consigo pensar no que mais podemos fazer — admitiu Benedikt. — Eu acho que a reunião deixou claro que os Rosas Brancas não sabem de nada. Estamos perdidos, a menos que comecemos a esvaziar nossos recursos colocando um ouvido em cada esquina de Xangai.

— Quantos espiões ainda temos na Sociedade Escarlate?

— perguntou Roma. — Talvez eles possam descobrir o que é isso. A Sociedade Escarlate praticamente admitiu ter informação, mas não vão nos passar…

— Eu duvido que perguntar aos espiões dê resultado —

interrompeu Benedikt. Ainda tapava a boca de Marshall, que parecia ter começado a lamber a palma da mão de Benedikt em uma tentativa de se soltar. Benedikt agia como se não tivesse notado. — Se a Sociedade Escarlate realmente soubesse de alguma coisa, discutiria isso no círculo interno.

Deixar boatos vazarem para gangsteres comuns é uma rota certeira para causar pânico.

Marshall finalmente se libertou da mão de Benedikt.

— Por Deus, perderam a cabeça? — disse. — Qual membro da Sociedade Escarlate aparece em todo lugar que você vai, qual membro parece ter uma necessidade pessoal de achar as respostas? — Ele pôs os olhos no mesmo nível dos de Roma. — Você tem de pedir ajuda a Juliette.

De repente, Roma ergueu o dedo, pedindo a Benedikt e a Marshall que fossem pacientes enquanto ele pensava a respeito.

Quando finalmente parecia ter ruminado sobre aquilo por um tempo, disse:

— Me passe aquele balde ali.