Prazeres Violentos
Três
— Ele parecia assustado —observou um deles, em voz baixa.
O homem do meio fez um gesto pedindo silêncio, mas as palavras já haviam sido proferidas e soltas no mundo, tornando-se flechas afiadas que atravessaram o cômodo sem alvo certo, seguindo apenas uma trilha de destruição.
Eles fecharam bem seus casacos e deixaram a caótica e efervescente casa Montagov para trás. Alisa, no entanto, permanecia em seu cantinho no teto.
Medo. Este era um sentimento que ela pensava que seu pai desaprendera a sentir. Medo era um conceito para os
homens desarmados. Medo era algo reservado para pessoas como Alisa, pequenas, esguias, que viviam olhando para trás.
Se Lorde Montagov estava amedrontado, as regras estavam mudando.
Alisa saltou do teto e saiu correndo.
Três
No momento em que irrompeu no corredor, enfiando o último grampo no cabelo, Juliette já sabia que era tarde demais.
Em parte, fora culpa da criada, por não a despertar quando deveria e, em parte, culpa dela mesma por não conseguir levantar com a aurora, como vinha tentando desde que retornara à Xangai. Aqueles raros momentos, quando o céu estava se iluminando — antes da agitação do resto do clã vir à tona — eram os momentos mais pacíficos que alguém podia ter naquela casa. Os dias em que ela se levantava cedo o bastante para beliscar um sopro de ar frio e dar um gole no completo e total silêncio em sua sacada eram os seus favoritos. Ela podia caminhar pela casa sem que ninguém a incomodasse, passando pela cozinha e beliscando o que quisesse, e então escolher qualquer assento que desejasse na mesa vazia. A depender da velocidade de seu mastigar, ela poderia até mesmo passar um tempinho na sala de estar, com as janelas escancaradas para permitir a entrada da melodia matinal de um pássaro.
Os dias em que ela não conseguia se livrar das cobertas rápido o suficiente eram os de sentar-se, rabugenta, com o resto do clã durante o café da manhã.
Juliette agora estava parada do lado de fora do escritório de seu pai, xingando baixinho. O dia de hoje não se limitava apenas em evitar parentes distantes. Ela queria meter o nariz em uma das reuniões de Lorde Cai.
A porta abriu-se rapidamente. Juliette deu um passo para trás, tentando parecer natural. Definitivamente tarde demais.
— Juliette — Lorde Cai lançou-lhe um olhar penetrante, franzindo o cenho. — Está muito cedo. Por que está acordada?
Juliette pôs as mãos sob o queixo; era a inocência em pessoa.
— Soube que temos um visitante ilustre. Pensei em vir cumprimentá-lo.
O visitante mencionado ergueu uma sobrancelha desconfiada. O homem era um Nacionalista, mas ficava difícil dizer se era ilustre ou não, pois estava vestindo um terno ocidental, sem as condecorações que a farda militar Kuomintang poderia ostentar no colarinho. A Sociedade Escarlate tem sido amistosa com os Nacionalistas — o Kuomintang — desde sua fundação como partido político.
Recentemente, a relação estreitou-se ainda mais por causa do combate à ascensão de seus “aliados” Comunistas.
Juliette voltara para casa há apenas uma semana, mas já vira o pai comparecer a cinco reuniões diferentes com os Nacionalistas, preocupados, querendo o apoio da máfia. Em cada uma delas, a jovem acabara se atrasando, de modo que não conseguia entrar sem causar constrangimento, então resolvia ficar parada à porta, do lado de fora, para captar qualquer migalha da conversa que conseguisse.
Os Nacionalistas estavam com medo, disso ela sabia. O
crescente Partido Comunista da China estava encorajando seus membros a se filiarem ao Kuomintang em uma demonstração de cooperação com os Nacionalistas; só que, em vez disso, a influência progressiva do maior número de
Comunistas dentro do Kuomintang começava a ameaçar os Nacionalistas. Tamanho escândalo era o assunto do momento no país, mas especialmente em Xangai, um lugar sem lei, para onde governos iam para nascer e morrer.
— É muita gentileza sua, Juliette, mas o Sr. Qiao está com pressa a caminho de outra reunião.
Lorde Cai gesticulou em direção a um servo para que conduzisse o Nacionalista à saída. O Sr. Qiao educadamente ergueu de leve o chapéu, e Juliette sorriu de boca fechada, engolindo um suspiro.
— Não faria mal algum me deixar acompanhar uma reunião, Bàba — disse Juliette, assim que o Sr. Qiao estava fora de visão. — O senhor deveria estar me ensinando.
— Posso ensiná-la com calma — respondeu Lorde Cai, balançando negativamente a cabeça. — Você não deveria se envolver em política ainda. São negócios entediantes.
Mas eram negócios relevantes, especialmente se a Sociedade Escarlate gastava um bom tempo entretendo aquelas facções. Especialmente se Lorde Cai mal se importara noite passada quando Juliette lhe contou que o herdeiro dos Rosas Brancas desfilara no meio do maior cabaré da Sociedade Escarlate, e disse para a filha que discutiriam aquele fato pela manhã.
— Hum, vamos à mesa do café da manhã? — disse o pai.
Ele pôs a mão na nuca de Juliette, conduzindo-a escada abaixo, como se houvesse risco de ela fugir correndo. — Lá podemos falar sobre a noite passada.
— Café da manhã seria maravilhoso — murmurou Juliette.
Na verdade, a barulheira das refeições matinais lhe dava dor de cabeça. Havia algo particular nas manhãs daquele clã que deixava Juliette inquieta. Não importava o assunto
discutido pelos seus parentes: podia ser o tema mais mundano, como a especulação a respeito dos preços crescentes do arroz; de suas palavras gotejavam intriga e astúcia implacável. Tudo o que discutiam parecia mais adequado à noite, quando as criadas se recolhiam a seus aposentos e a escuridão rastejava pelo encerado assoalho de madeira.
— Juliette, querida — cacarejou uma tia no instante em que ela e o pai se aproximaram da mesa. — Dormiu bem?
— Sim, Ā yí — Juliette respondeu com secura. — Dormi muito bem.
— Você cortou o cabelo de novo? Deve ter cortado, não me lembro dele ser tão curtinho.
Não bastasse serem suficientemente irritantes, havia muitos parentes indo e vindo no clã Cai para que Juliette tivesse tempo de se importar com algum deles. Rosalind e Kathleen eram, ambas, as primas mais próximas e únicas amigas, e isso era tudo de que precisava. Todos os outros eram meros nomes e uma relação da qual tinha que se lembrar caso algum dia precisasse de algo. A tia tagarelando em seus ouvidos era distante demais para ser útil em qualquer ocasião, tão distante que Juliette teve que parar e se perguntar por que ela estava na mesa do café da manhã.
— Dà jiě, pelo amor de Deus, deixe a menina falar. Juliette levantou a cabeça rapidamente, sorrindo para a voz que partira da extremidade da mesa. Pensando melhor, havia uma única exceção à sua apatia: Sr. Li, seu tio preferido.
— Xiè xiè — respondeu ela, abrindo a boca, mas sem emitir sons.
Ele apenas ergueu sua xícara de chá em resposta ao agradecimento, com um pequeno brilho nos olhos. A tia bufou, mas parou de falar. Juliette voltou-se para seu pai.
— Então, Bàba, noite passada — começou. — Se as alegações são verídicas, um de nossos homens esbarrou com cinco Rosas Brancas nos portos, e depois arrancou fora a própria garganta. O que o senhor acha disso?
Lorde Cai, sentado à cabeceira da mesa longa e retangular, emitiu um ruído pensativo e então esfregou a ponta do nariz, suspirando profundamente. Juliette imaginou quando fora a última vez que seu pai teve uma noite inteira de sono, sem ser interrompido por estresse e reuniões. Sua estafa era invisível ao olho destreinado, mas Juliette sabia.
Juliette sempre sabia.
Ou talvez ele estivesse apenas cansado de ter que, logo de manhã, se sentar à cabeceira da mesa e ouvir as fofocas de todo mundo. Antes de Juliette viajar, a mesa de jantar era redonda, como as mesas chinesas devem ser. Ela suspeitava que eles a trocaram somente para agradar os visitantes ocidentais que iam ao casarão dos Cai para reunir-se, mas o resultado não foi dos melhores: familiares não conseguiam mais falar com quem desejavam, como era quando todos estavam sentados em círculo.
— Bàba — Juliette insistiu, embora soubesse que ele ainda estava pensando. Ocorre que seu pai era um homem de poucas palavras e Juliette, uma mulher que não suportava o silêncio. Mesmo quando o entorno estava agitado, com os empregados entrando e saindo freneticamente da cozinha, a comida chegando e a mesa acomodando várias conversas paralelas com volumes oscilantes, ela não suportava
quando seu pai deixava sua pergunta esmaecer em vez de respondê-la imediatamente.
O problema era que, mesmo que ele lhe tenha dado atenção agora, Lorde Cai apenas fingia preocupação a respeito daqueles alegados surtos. Juliette sabia — isso era uma brincadeira de criança perto da monstruosa lista de coisas que infestavam a atenção de seu pai. Afinal, quem ligaria para rumores de criaturas estranhas emergindo das águas da cidade quando os Nacionalistas e os Comunistas estavam também emergindo, com armas em riste e exércitos preparados para marchar?
— E isso foi tudo que Roma Montagov revelou? — indagou Lorde Cai finalmente.
Juliette se encolheu. Não pôde evitar. Ela passou quatro anos se sentindo mal ao simplesmente pensar nele, e ouvir seu nome — ainda mais na boca do pai — parecia errado.
— Sim.
O pai tamborilou lentamente os dedos no tampo da mesa.
— Suspeito que ele saiba de mais coisas — prosseguiu Juliette —, mas foi cauteloso.
Lorde Cai quedou-se novamente em silêncio, permitindo que o ruído ao seu redor diminuísse, aumentasse e depois cessasse. Juliette se perguntava se naquele momento a mente do pai estava em outro lugar. Afinal, ele fora terrivelmente apático em relação às notícias do herdeiro Rosa Branca em seu território. A disputa de sangue era muito importante para a Sociedade Escarlate e, se Lorde Cai não dava qualquer relevância à infração de Roma Montagov, apenas ficava mais evidente a prioridade que a política passara a ter.
No entanto, antes que o pai tivesse chance de falar novamente, as portas vaivém da cozinha se abriram com força, e o som ecoou tão alto que a tia ao lado de Juliette derrubou sua xícara de chá.
— Se suspeitamos que os Rosas Brancas possuem mais informação que nós, por que estamos aqui plantados falando sobre isso?
Juliette rangeu os dentes, limpando o chá que caíra em seu vestido. Tyler Cai entrara, o mais irritante de todos os seus primos. Apesar de terem a mesma idade, nos quatro anos em que ela esteve fora parecia que o primo não amadurecera em nada. Ainda fazia piadas grosseiras e esperava que os outros se ajoelhassem a seus pés. Se pudesse, ele mandaria a Terra girar ao contrário simplesmente por achar que seria um giro mais eficiente, mesmo que totalmente fora da realidade.
— Você tem o costume de bisbilhotar atrás da porta em vez de entrar? — desdenhou Juliette. Seu comentário ácido não foi aprovado. Os parentes rapidamente se levantaram assim que viram Tyler, correndo para pegar-lhe uma cadeira, mais chá, outro prato; provavelmente um com gravações a ouro e encrustado de cristais. Apesar da posição de Juliette como herdeira da Sociedade Escarlate, eles nunca lhe sorririam daquela forma afetada. Ela era mulher. Aos olhos deles, não importava sua legitimidade; ela nunca seria boa o bastante.
— Me parece simples — prosseguiu Tyler. Sentou-se em um assento, recostando-se nele como se fosse um trono. —
Já é hora de mostrarmos aos Rosas Brancas quem é que manda nesta cidade. Vamos ordenar que nos digam o que sabem.
— Temos pessoal, armamentos — um tio soturno comentou, concordando com a cabeça e passando a mão na barba.
— Os políticos ficarão do nosso lado — a tia ao lado de Juliette complementou. — Eles têm de ficar. Não podem tolerar os Rosas Brancas.
— Uma batalha por território não é boa ideia — até que enfim, pensou Juliette, voltando-se para o primo de segundo grau mais velho que havia falado, uma voz consciente nesta mesa. — Mas com seu talento, Tyler, a quantidade de terreno que ganharemos é imensurável.
Os punhos de Juliette cerraram-se, apertados. Esquece.
— Eis o que devemos fazer — começou Tyler, animado.
Juliette lançou um olhar a seu pai, mas ele parecia satisfeito em simplesmente continuar sua refeição. Desde que ela voltara, Tyler aproveitava qualquer chance de ofuscá-la, tanto em conversas francas quanto em comentários paralelos; mas, todas as vezes, Lorde Cai intervinha para calá-lo, para lembrar àqueles tios e tias, com o mínimo de palavras possível, quem era a verdadeira herdeira; para lembrar que o favoritismo que davam a Tyler não os levaria a lugar nenhum.
Só que desta vez Lorde Cai manteve-se em silêncio.
Juliette não sabia se ele se abstivera porque achava a tática do sobrinho risível ou porque estava, de fato, levando-o a sério. Ela sentiu o estômago embrulhar, fervendo em ácido com o pensamento.
— … e as forças internacionais não podem reclamar —
dizia Tyler. — Se essas mortes foram autoinfligidas, é um problema que pode afetar qualquer um. É um problema do nosso povo, que requer nossa ajuda para defendê-lo. Se não
agirmos agora e retomarmos a cidade pelo bem deles, então para que servimos? Iremos aturar mais um século de humilhação?
As vozes na mesa entoavam aprovação. Grunhidos de incentivo; polegares enrugados e com cicatrizes erguidos no ar; batidinhas gentis nos ombros de Tyler. Apenas o Sr. Li e o pai de Juliette permaneciam quietos, com expressão neutra, mas isso não era o bastante. Juliette jogou seus talheres, e seus kuàizi de porcelana fina despedaçaram-se em quatro pedaços.
— Você quer se enfiar no meio do território dos Rosas Brancas? — ela se levantou e ajeitou o vestido. — À
vontade. Eu mandarei uma criada desembolar suas tripas quando forem enviadas para nós em uma caixa de presente.
Com os parentes chocados demais para reclamar, Juliette marchou para fora da cozinha. Seu coração estava acelerado, apesar da postura calma, e ela tinha receio de que, desta vez, tivesse realmente ido longe demais. Assim que estava no corredor, parou e olhou para trás, observando as portas da cozinha se fecharem. A madeira, importada de alguma nação distante, fora entalhada com caligrafia chinesa tradicional: poemas que Juliette havia memorizado há muito tempo. A casa era um espelho da cidade, um eco das ideias que viajavam de ponta a ponta.
Era uma fusão de Oriente e Ocidente, incapaz de abrir mão do velho, mas desesperada para imitar o novo e, assim como a cidade, a arquitetura da casa não combinava muito bem.
As portas da cozinha, belas, mas destoantes, abriram-se novamente. Juliette nem titubeou. Esperava por isso.
— Juliette. Uma palavrinha.
Apenas Tyler a seguira, com uma carranca esculpida na face. Ele possuía o mesmo queixo pontudo que Juliette, a mesma covinha na parte inferior esquerda do lábio, que aparecia quando ele estava irritado. Juliette não conseguia explicar a semelhança absurda entre ambos. Em todo retrato de família sempre eram colocados juntos, e as pessoas brincavam com eles como se fossem gêmeos em vez de primos. Mas Juliette e Tyler nunca se deram bem, nem mesmo no cercadinho, quando brincavam com armas de mentirinha em vez das reais; Tyler mirava na cabeça dela e a balinha de madeira nunca errava.
— O que é?
Tyler parou. Cruzou os braços.
— Qual é o seu problema?
Juliette revirou os olhos.
— Meu problema?
— Sim, seu problema. Não é legal ficar frustrando as minhas ideias e…
— Você não é estúpido, Tyler, então pare de agir como se fosse — interrompeu Juliette. — Eu odeio os Montagoves tanto quanto você. Todos nós odiamos, tanto que sangramos por isso. Mas agora não é hora de travar uma guerra por território. Não com a cidade sendo explorada por estrangeiros.
Breve silêncio.
— Estúpido?
Tyler não entendeu nada, e ainda assim se ofendeu. O
primo era um homem com pele de aço e coração de vidro.
Desde que perdeu ambos os pais, muito jovem, tornou-se este
forçado
anarquista
Escarlate,
gratuitamente
pretensioso e agressivo e, como os pares se atraem, seus únicos amigos eram os que ficavam por perto esperando conseguir um atalho para criar conexões com os Cais. Todos o bajulavam, dispostos a dar socos coreografados, deixando-o sentir-se poderoso quando os golpes não encaixavam, mas bastava um chute súbito no abdome e ele desmontaria.
— Eu acho que defender nosso ganha-pão está longe de ser estúpido — continuou Tyler. Acho que reclamar nosso país daqueles russos…
O problema é que Tyler achava que o seu modo de agir era o único possível. Ela gostaria de achar dentro de si um meio de não o culpar por isso. Afinal, Tyler, exatamente como ela, queria o melhor para a Sociedade Escarlate. Só que, em sua mente, ele era o melhor para a Sociedade Escarlate.
Juliette não quis mais saber de conversa. Virou-se para se retirar.
Até que seu primo a agarrou pelo pulso.
— Que tipo de herdeirazinha é você?
Rápido como um raio, Tyler a jogou contra a parede. Ele mantinha uma das mãos amassando a manga esquerda da roupa dela e o resto de seu braço pressionava a clavícula da moça, com força suficiente apenas para servir de ameaça.
— Me solte — sibilou Juliette, tentando se desvencilhar. —
Agora.
Tyler não obedeceu.
— A Sociedade Escarlate deveria ser sua maior prioridade.
Nosso povo deveria ser sua maior prioridade.
— É melhor ter cuidado…
— Sabe o que eu acho? — Tyler puxou o ar, enfurecido, com linhas de expressão profundas deformando seu rosto
repleto de nojo. — Eu ouvi os boatos. Acho que você está tentando proteger Roma Montagov.
Juliette ficou completamente paralisada. Não foi o medo que a dominou, nem qualquer intimidação que Tyler tentara incitar. Foi indignação, e em seguida raiva, raiva fervilhante.
Ela esquartejaria Roma Montagov antes de sequer cogitar protegê-lo novamente.
Sua mão direita ergueu-se — punho cerrado, pulso firme, nós dos dedos preparados — e entrou em colisão perfeita e certeira com a bochecha de seu primo. Um instante que o deixara em completa inércia. Um instante em que Tyler apenas piscava, e as linhas de sua face pálida tremiam de choque. Então ele cambaleou, soltando Juliette e sacudindo a cabeça para encará-la, com o ódio estampado no vazio de seus olhos. Um corte vermelho percorria a linha do maxilar dele, causado pelo anel brilhante de Juliette, que lhe ferira a pele.
Não era o bastante.
— Protegendo Roma Montagov? — repetiu ela.
Tyler ficou paralisado. Ele não teve chance de se mover, tampouco de recuar o mínimo que fosse, antes que Juliette puxasse uma faca de seu bolso. Ela a pressionou bem no corte feito pelo anel e sibilou:
— Não somos mais crianças, Tyler. Se você quiser me ameaçar com acusações ultrajantes, terá de responder por elas.
Ele deu uma leve risada.