Uma Princesa em Tóquio

Emiko Jean · Capítulo 22 de 38

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Uma Princesa em Tóquio

Capítulo 21

 

 

Mariko desengata um discurso sobre bons modos durante a maior parte do

trajeto de volta ao palácio. Tudo porque Shirasu não fez uma reverência

completa de quarenta e cinco graus ao se despedir. Ela já está nessa há

noventa minutos. Deve ser um recorde. De verdade. Chegamos na

propriedade imperial, e os portões fecham firmemente atrás de nós. Os

jardins são rebuscados e bem cuidados, enfeitados com árvores de bonsai,

tudo no estilo da antiga Kyoto.

— Tenho quase certeza de que ele não tem as costas boas — digo,

solícita.

Sinceramente, não consigo prestar muita atenção na conversa, porque

estou trocando mensagens com minha mãe e a GGA. Minha mãe mandou seu

diário “Como você está?”. Respondo com um “Ótima” e uma foto linda do

bambuzal. Noora está engajada em uma espécie de campanha para

normalizar homens que usam shorts curtos. Respondo com dois joinhas.

— Mesmo assim — Mariko diz. Posso ouvir a irritação em sua voz. —

Você não acha que ele deveria ter…

Olho para fora e dou um berro. Há uma fila de carros estacionados com

os porta-malas abertos. Criados de luvas brancas carregam malas com

monogramas. No meio da bagunça, está Yoshi, imperioso e resplandecente

à luz do sol.

— O que ele está fazendo aqui? — Mariko questiona, perplexa. — Isso

não estava programado.

Ela consulta seus documentos no celular. Os itinerários da realeza são

compartilhados — o que significa que, todas as manhãs, a Agência da Casa

Imperial envia um e-mail detalhando os movimentos de cada membro da

família.

Solto o cinto de segurança e pulo do carro. O sr. Fuchigami sibila por

entre os dentes. Lanço um “sinto muito” ao sair do veículo. Corro para

Yoshi e paro de repente. Ele sorri e abre os braços. Eu me jogo em seu peito

e ele me dá um abraço forte e sufocante.

— Adorei a resposta americana entusiasmada — ele diz, ainda me

abraçando. Depois acrescenta calorosamente: — Manifestações públicas de

afeto não são comuns no Japão, mas estou feliz de saber que você não

perdeu o espírito. — Ele me aperta mais um pouco antes de me soltar.

Dou uma espiada nele. Sua jaqueta combina com a gravata cruzada e

ambas têm fios de ouro e… estou vendo purpurina em seu cabelo?

— O que está fazendo aqui? — pergunto, enquanto Mariko e o sr.

Fuchigami descem do carro. — Você não me disse que viria.

Temos trocado mensagens, claro. Eu contei tudo sobre o casamento do

primeiro-ministro e as Gêmeas Iluminadas. Ele se compadeceu da minha

situação e me contou que Noriko fez xixi nas calças no jardim de infância

porque estava com vergonha de pedir para ir ao banheiro, e que Akiko vivia

comendo cola. Tiveram que marcar uma reunião para discutir o problema

— camaristas, professores e uma variedade de especialistas em

comportamento foram chamados para opinar.

— Vim te visitar, óbvio. Não é justo que você esteja se divertindo

sozinha aqui no interior. — Ele olha para baixo. Resmunga e aperta o nariz

com o polegar e o indicador. — Por favor, me diga que você não está usando meia-calça bege. A situação é muito mais grave do que eu

imaginava. Parece que cheguei na hora certa. — Ele sorri com a minha

risada.

Meu Deus, como é bom vê-lo.

— Sua Alteza. — O sr. Fuchigami se aproxima de nós, abotoando o

paletó. — Não estávamos esperando o senhor.

Mariko faz uma careta. Ela com certeza ouviu o comentário sobre a

meia-calça. Todas as manhãs, minha dama de companhia escolhe minhas

roupas meticulosamente.

Yoshi estremece diante do camarista.

— Essa é a graça. Era pra ser uma surpresa. Esse é o meu jeito

encantador de ser.

— Seu camarista, o sr. Wakabayashi, o acompanhou? — o sr. Fuchigami

pergunta, imperturbável.

Yoshi abana a mão.

— Ele está em algum lugar… — Então para, olhando além da fila de

carros. Reina e Akio estão a centímetros de distância um do outro,

discutindo algo. — Seu protetor está tão perto da minha guarda-costas.

Sobre o que será que estão falando?

— Eles provavelmente estão discutindo a nossa segurança. — Meu

sorriso é tão grande que até dói.

— Não — ele diz com naturalidade. — Reina provavelmente está

planejando o meu funeral. Ela está brava comigo. Só porque falei com ela

através da porta do banheiro, enquanto ela estava usando. Não sei por que

não gosta disso. Eu acho que nos aproxima, sabe?

— Não. Sei não. — Mas meio que sei, sim.

A GGA não tem o menor pudor quando se trata de banheiros. Alguns dos

nossos melhores momentos aconteceram ali.

Ele dá de ombros. Seu sorriso aumenta, e uma espécie de malícia dança

em seus olhos.

— Vamos sair pra jantar hoje. Vamos em algum lugar luxuoso e

ridiculamente caro, onde atiram pétalas de rosas aos nossos pés. — Ele

pega o celular e procura as opções. — Já comeu kaiseki?

— Nem sei o que é isso.

— Então você precisa experimentar. Só vai precisar usar algo mais

elegante. — Ele dá uma conferida em mim. — O chef que estou pensando

não brinca em serviço. Ele se leva muito a sério.

Mariko se intromete:

— Talvez um quimono de seda serviria?

Yoshi se vira para ela com um olhar diabólico.

— Um quimono de seda vai servir muito bem. Sabe, acho que nunca

fomos formalmente apresentados. Prima, por que você nunca me apresentou

para a sua adorável dama de companhia? — Ele faz uma reverência para

ela.

Mariko fica vermelha. É tão fácil cair na lábia de Yoshi.

— Vou precisar de pelo menos uma hora para prepará-la — ela diz em

um tom agradável que nunca usou comigo.

Yoshi faz outra reverência, olhando-a como se ela tivesse inventado o

bolo.

— Claro, serei seu servo no que for preciso. Sabe, se meu coração já não

estivesse comprometido com uma certa mulher que esconde armas pelo

corpo…

Ah, meu Deus, chega.

— Yoshi — digo, tentando me comunicar através do olhar.

— Certo. Beleza. — Ele se vira para mim. — Me distraí por um segundo.

Ainda bem que Reina não é ciumenta. Se bem que eu queria que fosse. — Ele fica olhando para ela por um momento, ansioso, depois volta a atenção

para o celular. — Vou fazer uma reserva para nós. — Ele corre na direção

de um criado que está descarregando uma mala cheia de furos e grita: —

Cuidado com isso, tem um animal vivo aí dentro.

 

Jantamos em Gion, o distrito das gueixas, coração de Kyoto e centro

espiritual. O local abriga antigas casas de chá, mestres fabricantes de

espadas e mulheres de quimonos. O restaurante é apenas para convidados e

acomoda até sete pessoas, mas o chef prefere receber somente cinco por

vez. Seu nome é Komura e, assim como na fazenda de Shirasu, as duas

filhas do chef o ajudam em seu ofício. As irmãs acendem velas e espalham

castiçais de bronze pelo salão. O restaurante é uma casa reformada, as

paredes são de ébano e estão manchadas por anos de fumaça da fornalha —

fenômeno também conhecido como kurobikari, “brilho preto”. O lugar é

um tesouro escondido entre um salão de jogos de pachinko e uma loja de

antiguidades.

Nos acomodamos em uma mesa baixa de madeira grossa, cuja superfície

está desbotada, gasta e polida, aperfeiçoada durante anos por mãos, pratos e

xícaras de chá.

Yoshi sorri e seus olhos brilham.

— Me conte tudo. Está gostando de Kyoto? Odiando?

Ele está usando um terno de cetim e gravata de mesma cor. Seu cabelo

está penteado para trás. Muito estiloso. Só está faltando o furão branco em

volta de seus ombros. O famoso estilista Tomo Moriyama vai fazer um

desfile com animais vivos no lançamento de parte de sua coleção de outono

durante a Tóquio Fashion Week, e Yoshi ficou com uma das primeiras

“amostras”. O chef não permitiu que ele entrasse no restaurante com o animal. Por sorte, Yoshi trouxe uma espécie de coleira para a criatura, e um

de seus guarda-costas está passeando com ela agora.

Respiro fundo, o que não é fácil, porque minha cintura está espremida.

Mariko definitivamente fez sua mágica de fada madrinha de novo. Meu

quimono é de seda azul-petróleo, costurado com fios prateados que imitam

as ondas do mar e bordado com lírios multicoloridos. Meu cabelo está preso

em um coque baixo, enfeitado com um alfinete de crisântemo.

— Kyoto é um sonho — digo, baixinho.

Embora a atmosfera do restaurante seja tranquila, com iluminação suave,

almofadas para nos recostar, vozes baixas e uma única tapeçaria de seda

pendurada na parede, essa situação pode ser considerada um campo minado

cultural, cheio de armadilhas para me pegar. Qualquer coisa pode explodir

na minha cara. Corrijo a postura, a forma como seguro meu ohashi, e

repasso mentalmente que devo fazer uma reverência para agradecer a

equipe do restaurante ao final da refeição, dizendo: “gochisōsama deshita”.

Meu sorriso é genuíno.

— E vai ficar melhor ainda, agora que você está aqui — digo.

Bebemos vinho doce. Em seguida, as irmãs trazem a segunda entrada:

hassun, pequenos aperitivos dispostos como pequenas joias no prato.

Ficamos parados e em silêncio, mas assim que elas saem, Yoshi diz:

— Oishisō.

— Oishisō — repito. “Delicioso.”

Yoshi retoma a conversa:

— Queria muito vir te visitar. Um antigo colega de escola mora aqui. Seu

nome é Jutaro. É um ex-aristocrata que faz uns bicos como vendedor de

javalis.

Vai saber o que isso significa. Sorrio.

Yoshi espera que eu comece. No Japão, o convidado, no caso eu, deve

comer primeiro.

— Itadakimasu — digo, em agradecimento à refeição, mantendo as

costas eretas enquanto dou uma mordida no camarão.

No kaiseki, o foco está na essência da comida, que reflete os ritmos das

estações. A refeição é fortemente influenciada pela natureza. Estamos em

maio, então nosso menu será inspirado na primavera e terá bambu.

Yoshi me observa entusiasmado enquanto se serve.

— Olha só isso. Você mudou.

Deixo meu ohashi de lado.

— Não mudei. Ainda estou em desenvolvimento.

— Não estamos todos? — Ele bebe um pouco de água, me olhando por

cima do copo. — Você mudou. Estou maravilhoso, como sempre, mas você

está melhor ainda. Mudar não é a pior coisa do mundo. Quem sabe você

não me dá umas dicas? Queria melhorar minha imagem pública. Me ensina.

As irmãs retiram nossos pratos e servem brotos de bambu cozidos em

água mineral. Seguro a tigela laqueada com as duas mãos.

— Imagem pública? — pergunto, dando pequenos goles.

Olho para Akio, parado perto da entrada com Reina. Discretamente, ele

retira o celular do bolso, dá uma olhada e faz uma cara furiosa. Nossa, ainda

bem que não sou a mensageira. Só que então ele direciona seu olhar

descontente para mim. O que foi que eu fiz? Mesmo quebrando a cabeça,

não consigo pensar em nada.

Ah, tem uma coisinha. O favor que pedi ao sr. Fuchigami. Mas por que

Akio ficaria bravo com isso?

Yoshi acena a mão e diz:

— Sei que você me ama, então talvez isso seja um tanto surpreendente.

Mas eu sou meio que o rebelde da família.

Finjo estar surpresa.

— Não me diga?

Ele faz carinho na minha mão.

— Por favor, não pense mal de mim. É a imprensa. Sou injustiçado. Os

caçulas são sempre mal compreendidos. Se as pessoas pelo menos vissem

como sou por dentro. Sou muito sensível, sabe… Só não gosto de regras.

Nem de ser príncipe. Queria me ver livre da minha gaiola de ouro. Isso me

torna um clichê ambulante tão terrível assim?

— Temo que sim.

— Certo. Quanto à minha imagem pública, gostaria de continuar sendo

tratado com adoração divina. Mas também gostaria que as pessoas tivessem

um pouco de medo de mim. Como se eu pudesse soltar uma série de pragas

se for contrariado.

— Ah. Você quer ser visto como um babaca imaturo que tem acessos de

raiva?

Um sorriso se insinua em seu rosto.

— Você está certa. Isso também não é legal. Obrigado por manter minha

cabeça no lugar. Preciso que algum lugar seja nomeado em minha

homenagem. Talvez um hospital ou uma biblioteca. Algo que diga: “Um

doce e generoso coração bate dentro deste grande peito másculo”.

Dou risada. O terceiro e o quarto pratos são servidos: sashimi, amêijoas

em conserva e pato Kawachi assado.

— Yoshi — digo, sentindo o ritmo suave da noite.

A refeição se desdobra como um leque lentamente, e cada fragmento

revela uma nova parte da imagem.

— Izumi — ele fala.

— Estou tão feliz por você estar aqui. Estou tão feliz com sua amizade.

Obrigada.

Ele me olha um pouco cauteloso. Talvez as coisas sérias não venham

com facilidade. Da última vez que conversamos abertamente, estávamos

afogados em álcool. Agora, somos apenas nós: duas pessoas sóbrias na

mesma mesa em um restaurante silencioso. Depois de um tempo, porém,

ele confessa, baixinho:

— Também estou feliz por estar aqui.

Depois do jantar, esperamos do lado de fora enquanto Yoshi atende uma

ligação de seu amigo Jutaro (o ex-aristocrata que faz bico como vendedor

de javali). Decido caminhar um pouco, minhas pernas estão ligeiramente

duras de tanto tempo que passei sentada de joelhos, na postura seiza. Há um

laguinho de peixes com uma cachoeira tilintante.

— Recebi uma mensagem interessante durante o jantar.

Tomo um susto com a voz de Akio.

— Ah, é?

Ele vem até mim devagar.

— Parece que um médico imperial visitou minha mãe.

— É mesmo?

Ele limpa a garganta.

— E tem mais.

— Não me diga.

Ele me encara, e seus cílios longos criam meias-luas em suas bochechas.

É tão injusto. Mariko tem que usar curvex e passar muito rímel para

conseguir o mesmo efeito em mim. As melhores coisas são sempre

desperdiçadas nos homens.

— Parece que ela vai ser tratada no hospital imperial de agora em diante.

— Que notícia maravilhosa. — Sorrio para ele.

O sr. Fuchigami conseguiu.

— Tenho uma dívida com você — ele diz com uma voz baixa e

hipnótica.

Mostro indiferença, abanando a mão.

— Deixa disso. Como eu já disse antes, sou a maior fã de mães.

— Sinto que você me deu tanto. Não sei como retribuir.

Olho para o céu. Sempre fico desconfortável com elogios, apesar de ter

uma necessidade patológica de recebê-los.

— O céu está tão estrelado hoje.

— Sua Alteza — ele diz baixinho.

Olho para ele.

— Sim?

Ele se aproxima.

— Tenho uma dívida com você.

O silêncio paira no ar entre nós. A noite está fria, mas me sinto quente

feito uma rocha fritando no sol. A porta do restaurante abre. Yoshi sai e fica

olhando de Akio para mim.

Akio se afasta.

— Está combinado, então — ele diz, abrindo a porta do carro.

Seu sorriso ilumina a noite. Emana dele em ondas e me cativa, me

forçando a retribuir.

Tento impedir meu coração de acelerar.

— Perfeito — digo com uma voz rouca, apesar de não saber com o que

estou concordando.

Não faço ideia, na verdade. Mas não importa. Está tudo bem. Mais do

que bem, totalmente maravilhoso.

 

O clima tranquilo do jantar se mantém no carro. As ruas de Kyoto estão

praticamente vazias, a viagem e a companhia são agradáveis. Akio dirige e Reina vai no banco do carona. Estou no banco de trás com Yoshi. Ele faz

carinho no furão em seu colo, distraído, perdido em pensamentos.

A cerca de um quarteirão do palácio, o carro diminui a velocidade até

parar. As cabeças de Akio e Reina inclinam-se uma para a outra. Em voz

baixa e séria, eles discutem algo.

Estico o pescoço, tentando ver além deles. A rua está iluminada de um

jeito estranho, não pelas habituais luminárias amarelas. O brilho é mais

suave, laranja e nebuloso.

— O que está acontecendo?

Akio toca seu fone.

— A rua está bloqueada.

Ele move a cabeça e então consigo ver a confusão. Há várias pessoas

reunidas na rua. Cada uma tem uma luminária de papel nas mãos. É como

se estivessem segurando pequenas luas.

— O que é isso? — pergunto.

Será que perdemos um festival?

— Eles estão aqui por você, Sua Alteza — Reina diz. É a primeira vez

que ela fala diretamente comigo. Sua voz é seca e rouca. Tranquilizadora.

— Parece que se reuniram uma hora atrás e estão esperando sua chegada

desde então.

— Por quê? — solto.

Yoshi fala, baixinho:

— Kyoto está te dando as boas-vindas. As pessoas vão para as ruas para

celebrar aniversários, casamentos e filhas recém-descobertas do príncipe

herdeiro. — Ele pisca e me cutuca. — É a tradição. Uma honra. Vá lá.

Caminhe entre o povo.

Fico brincando com a ponta do meu quimono.

— Não sei… — Espero Akio resmungar. Dizer que é arriscado.

— Está tudo bem — Akio fala. — Há guardas imperiais entre eles. O

palácio está perto. Se quiser ir andando, pode ir.

Bem. Parece que não tenho escolha.

— Acho que vou andando então.

Akio desce do carro primeiro e abre a minha porta logo em seguida. Um

silêncio cai sobre a rua. Inclino a cabeça, cruzo as mãos à minha frente e

sigo adiante. A multidão se divide em duas, e suas luminárias formam uma

corrente de luz. Akio, Reina e Yoshi estão alguns passos atrás.

Dois guardas imperiais surgem e tomam a frente, mas permaneço sozinha

no meio. Sorrio e aceno devagar. Vejo Shirasu. Ele sorri para mim. Perco o

fôlego, depois o recupero. Não quero quebrar esse feitiço. Estou

completamente encantada. Apaixonada por Kyoto, pelo Japão. Chegamos

ao fim da caminhada, e os portões do palácio se abrem.

Viro e faço uma reverência. Obrigada.

O sr. Fuchigami está ali, apreciando as luminárias com o resto dos

funcionários.

— Sua Alteza, gostou do jantar? — ele pergunta.

Assinto. Será que ele consegue ver que estou feliz? Que meus olhos estão

brilhando de alegria?

Ele se aproxima.

— Você conquistou o coração de Kyoto. — As pessoas formam um

círculo em volta de mim e soltam as lanternas de uma vez.

Os orbes brilhantes sobem ao céu, em um círculo perfeito de luz.

É lindo. Verdadeiramente lindo. Uma coroa dourada.