A Esposa Desprezada

Camille Oster · Capítulo 12 de 43

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A Esposa Desprezada

Capítulo 12

 

— A mulher só pode estar louca — disse Tristan enquanto andava para lá e para cá no salão de Minette. Por um lado, não queria falar daquilo, mas também não poderia não falar.

— Talvez devesse pensar mais friamente — disse Minette, sentada com o seu vestido de seda verde com listras marfim. — Você comprou o prédio para ameaçá-la. Eu diria que nenhum de vocês está sendo lógico neste momento.

— Talvez eu devesse ver até onde ela levará esse blefe.

— Ugh — disse Minette e revirou os olhos enquanto apoiava a xícara de porcelana sobre a mesa. — Acalme-se, meu amigo. Na verdade, eu nunca o vi agindo assim. Normalmente você é bastante controlado.

— Como alguém deveria agir quando está lidando com a completa insanidade?

— Com calma e compostura.

— Como eu posso deixar que uma mulher assim cuide do meu filho?

— Talvez devamos considerar, com calma, as objeções dela — sugeriu Minette. Tristan não queria levar Sophie em consideração. Ele queria enfurecer-se, e andar para lá e para cá até fazer um buraco no tapete de Minette. — Sente-se e tome um pouco de chá.

— O chá dificilmente fará qualquer coisa para tratar a insanidade dela.

— Bem, talvez faça — disse Minette de forma enigmática.

A contragosto, Tristan se sentou, mesmo estando com energia o bastante para correr, ou lutar boxe. Não praticava boxe desde seus tempos em Oxford, e até naquela época imaginava se aquela não era uma atividade sem muita lógica.

— Ela é mãe e está agindo como uma mãe protegendo o filho.

— Ela não está protegendo...

Minette o fez calar.

— O que significa que ela vê você como uma ameaça para o filho dela.

— Isso é ridículo.

— E o que ela disse?

Tristan não queria falar daquilo, mas Minette estava com aquele olhar severo.

— Ela disse que eu era frio.

— Você é frio. E o que mais?

— E que jamais permitiria que uma pessoa como eu criasse o filho dela. — Era embaraçoso falar daquilo. — Que não há nada de admirável em mim ou nos da minha laia.

Minette ficou perdida em pensamentos por um tempo e Tristan aproveitou a oportunidade para se levantar e voltar a andar para lá e para cá.

— Então ela acredita que a criança sofrerá se ficar aos seus cuidados. Que você é frio e que o menino nunca receberá o amor e o carinho de que precisa. Ela tem uma boa razão. Você não transborda bondade humana.

— Não criarei nenhum fracote que precisa que segurem a mão dele para fazer qualquer coisa. Isso não me causou nenhum mal.

— É óbvio que a Sra. Duthie não concorda com isso.

— O menino tem seis anos, não é um bebê agarrado às saias da mãe.

— Bem, não é provável que você vá convencê-la com suas teorias sobre a paternidade.

— O que eu tenho que fazer? Mimar o menino até que ele não tenha mais nenhuma força de caráter?

— Parece que suas teorias sobre criar filhos são inaceitáveis para a Sra. Duthie. Vocês discutiram sobre como essa criança será criada?

— Não, é claro que não.

— Talvez ela seja apaziguada se vocês negociarem a forma como a criança deveria ser criada.

— Não há como negociar com aquela mulher. Você não a conheceu. Ela é... exasperante. Que mulher não quer que o filho tenha a melhor oportunidade na vida?

— Imagino que isso dependa da sua definição do que é o melhor. Mas, pelo que entendi, a raiz do problema é, principalmente, você tentando separar mãe e filho.

— Eu não quero aquela mulher na minha casa seguindo cada passo meu.

— Lidar com a mãe geralmente é parte de ser pai. É uma negociação constante entre ambas as partes. Os homens gostam de acreditar que são os cabeças da casa, mas são as mulheres quem dirigem a casa.

Infelizmente, havia verdade no que Minette dizia.

— Talvez você só precise ajustar a oferta, antes que a faça fugir para as colônias.

Ele realmente poderia tolerar aquela mulher na sua casa? Era extremamente atípico ter a ex-mulher morando na casa. A reputação de Sophie não existia, então aquilo dificilmente seria uma afronta.

— Se você quer a criança, terá que ficar com a mãe também.

— Não penso que isso importa. Ela já decidiu contra mim — disse Tristan por fim. — Ela acredita que a vida dela é perfeita para a criação de uma criança. — Loucura sobre loucura.

— Você terá que ser cuidadoso se pretende obter mais alguma vantagem sobre ela. Não acho que ela tenha feito uma ameaça vazia. Se o irmão dela for tão desprezível quanto você diz, não deve haver nenhum laço familiar prendendo-a aqui. Nem pai, nem mãe para segurá-la. Você precisa agir com bastante cuidado.

— Sim, talvez você esteja certa — disse ele, odiando o fato de ela estar certa, mesmo ele sabendo que ela estaria. Minette se provou uma excelente conselheira nas poucas vezes que ele a procurou com tal finalidade.

Ele realmente teria que lançar mão de ter aquela mulher na sua casa? Era intolerável, mas, provavelmente, Minette estivesse certa quando disse que Sophie não se separaria do filho. E ele poderia muito bem escondê-los na propriedade por meses a fio. Não era como se Sophie quisesse qualquer coisa dele. Ela e o filho poderiam ficar em Dorset enquanto o menino era educado. Mas, ainda assim, ela não ouviria qualquer proposta que ele fizesse. Era teimosa como uma mula e igualmente inflexível.

Dando um beijo na mão dela, Tristan se despediu da amiga. A maior parte da raiva tinha amainado e ele precisava pensar muito bem sobre como proceder. Ainda não tinha uma resposta, mas ela não tardaria.

A carruagem o levou para casa enquanto percorria o tumulto das ruas. Por alguma razão, Sophie declarou que preferia ficar em companhia dos batedores de carteira e dos salafrários do que em uma carruagem confortável em companhia dele, mas eles eram pais da mesma criança. Talvez ele tivesse sido muito simplista ao pensar que ela entregaria o menino sem mais. Se dependesse do irmão dela, ele entregaria o menino, mas Tristan tinha cometido um erro ao colocar Sophie e o irmão no mesmo saco.

O menino vinha com a mãe, e ele precisaria se acostumar a isso. Ao que parecia, tê-la na casa seria uma realidade. Ela não era esposa, nem preceptora. Nem ao menos uma hóspede, o que a deixaria em uma posição estranha junto à criadagem. Não havia posição para uma ex-mulher em qualquer casa.

Era uma solução incômoda, mas que escolha tinha? Obviamente, ele poderia se casar e gerar outro herdeiro, mas esta criança, Alfie, era dele e ele sentia uma obrigação para com o menino que ia muito além do fato de ele ser o seu herdeiro. Que tipo de homem ele seria se abandonasse o filho só por causa da mãe problemática? A criança não era a culpada pela fraqueza da mãe.

Assim que chegou em casa, procurou o Sr. Joseph em seu pequeno escritório.

— O investigador voltou com alguma coisa interessante?

O homem ergueu o olhar como se estivesse assustado por ter alguém ali.

— Não, nada particularmente importante. Parece que a Sra. Duthie leva uma vida bem pacata. Não há nada sobre ela ou o marido que seja digno de nota, a não ser pela morte dele. Nada distorcido. Até mesmo os impostos estão pagos.

Tristan mordeu a bochecha enquanto pensava no que tinha ouvido. Parecia que ele não tinha nenhuma vantagem.

— Mude o foco para o irmão dela. Deve haver sordidez o bastante ali para manter o homem ocupado por um bom tempo.

— Este seria o Sr. Oliver Bancroft — disse o Sr. Joseph, escrevendo o nome em um pedaço de papel. — Irei me comunicar com o investigador.

— Bom, excelente — disse Tristan enquanto saía do pequeno escritório do seu homem de negócios.

Vagou pela casa não sabendo o que fazer. Ainda estava desinquieto por causa do confronto com Sophie, mas a raiva tinha desaparecido. Precisava relaxar toda aquela agitação, mas nada incitou o seu desejo. Não estava de bom humor para ir até o clube, e muito menos para beber.

A calmaria da casa era completa, o único som que ouvia era do relógio que ficava no corredor principal. Normalmente, seus investimentos eram uma ocupação, mas não conseguiria se concentrar.

Parte dele queria ir correndo para Holborn e discutir com a sua irascível ex-mulher. Ele ainda queria censurá-la por causa da postura insensível que ela estava tendo, privando o filho do futuro que deveria ter. Devia haver um limite para os pais poderem impor sua histeria a uma criança. Até mesmo para insinuar que ele era um pai indigno, o que era ridículo. Que tipo de florzinha ela estava tentando criar? O menino precisava de uma orientação apropriada, e era óbvio que Sophie não estava apta a prover aquilo.

Como ele se sentiria se a própria mãe tivesse imposto uma decisão assim a ele; que o privasse da propriedade, do título e da posição só por causa de algum disparate sobre haver dignidade na pobreza? Seria inconcebível. Essa não era uma decisão que ela tinha o direito de tomar pelo menino. O menino, com certeza, não agradeceria a ela pela baixa posição e a pobreza. Talvez ela só precisasse entender este pormenor.