A Esposa Desprezada
Capítulo 34
Por alguma razão, lady Woolwich simplesmente precisava de um novo vestido, e Sophie se viu pressionada a se juntar a ela em uma viagem até Bournemouth. Era uma cidade onde nunca tinha ido, então, sob aquele aspecto, a visita era interessante.
Tinha sido um dia longo e agora elas estavam retornando. Foram encomendar para lady Woolwich, ou Minette, como ela insistia que Sophie a chamasse, um vestido, a costureira acabou virando a atenção para ela e sem ser capaz de impedi-las, ela estava saindo de lá com três vestidos.
Sophie recusou, mas Minette não deu ouvidos.
A carruagem chacoalhava pelo caminho. A estrada estava em boas condições, então eles se locomoviam a uma boa velocidade, e a carruagem de lady Woolwich era bastante confortável.
— Estou tão feliz por termos conseguido enfiá-la em alguns vestidos. É inconcebível que Tristan a mantenha com um guarda-roupa tão escasso.
— É muita bondade sua, mas não há razão para lorde Aberley se preocupar com o meu guarda-roupa.
A mulher não estava dando ouvidos.
— Acho que é óbvio que ele está tentando tolhê-la.
Sophie fechou a boca e se impediu de dizer o que ia dizer. Tolhida? Ela?
— Eu não...
— Ele se livrou do tutor. Você sabe, não sabe? E ele provavelmente proibirá o reverendo Narstop de voltar àquela casa novamente.
A preocupação fez Sophie franzir a testa.
— Por quê?
— Ele pensa que você os seduz.
— O quê?
— Uma sedutora. Ele usou a palavra mais de uma vez para falar sobre você.
Sophie só pôde olhar para ela.
— Eu nunca seduzi ninguém.
— Acho que ele a estava acusando de participar de um colóquio imoral com aquele tutor.
— Eu nunca! — Sophie arfou, não acreditava no que estava ouvindo. Como ele podia dizer algo tão desprezível sobre ela? Era baixo demais, até mesmo para ele. Como ele se atrevia a conspurcar o seu caráter, mas por que estava surpresa? Ele vem conspurcando o seu caráter desde o momento que o conheceu. E agora que ela tinha pensando que eles tivessem alcançado algum tipo de trégua, ele vai e assassina seu caráter pelas suas costas. Homem desprezível.
— E, agora, ele acha que você está planejando seduzir o reverendo Narstop — prosseguiu Minette.
Ela ficou boquiaberta, Sophie sequer podia pensar no que dizer.
— É perfeitamente razoável. Você é viúva. Por que não pode se divertir um pouco? Tristan não tem o direito de dizer o que você pode ou não pode fazer.
— Eu não vou seduzir ninguém. Só estou conhecendo pessoas da aldeia, ou, segundo Aberley, eu não estou permitida a fazer isso? O homem é um pulha. — Todo o seu corpo se aqueceu com a raiva. Como ele se atrevia a acusá-la de tais coisas? Era demais para suportar.
Elas estavam se aproximando rapidamente do distrito de Sommerfield e o sangue de Sophie estava fervendo. Pensamentos irados corriam por sua cabeça. Aquilo era demais. Não permitiria que a tratassem desse jeito.
— Você poderia passar um tempo em Londres. Eu poderia apresentá-la — disse Minette, mas Sophie não conseguia prestar atenção. A raiva fervia dentro dela.
— Eu não posso acreditar que ele faria algo assim — disse Sophie, vagamente ciente que tinha acabado de interromper a companheira de forma muito rude. — Eu nunca fiz nada para ele e ele continua a conspurcar, continuamente, o meu caráter. O que eu fiz a ele para que ele me trate assim?
— Acho que você terá que perguntar a ele.
— Perguntarei — disse Sophie. — De forma muito clara.
— Isso mesmo. Você não deve permitir que ele se safe. É inconcebível.
Sophie batia o pé no chão enquanto a carruagem se aproximava da propriedade. Parecia que a última milha da viagem não terminaria nunca. Na mente dela, ela estava repassando tudo o que ia dizer. Até mesmo tinha dito a si mesma que ia tentar agir com mais bondade com ele, e ele faz isso. O pulha. O salafrário. O degenerado.
Sophie saltou da carruagem antes mesmo que ela parasse, e foi marchando para a casa. Wellswar abriu a porta.
— Onde ele está? — perguntou ela com brusquidão.
— O mestre Alfred?
— Aberley — disse Sophie, sombria.
— No escritório, eu acho.
Sophie marchou até lá e abriu as portas. Alfie estava sentado no chão e Sophie precisou se controlar.
— Alfie, querido. Você poderia ir lá para cima por um momento? Preciso trocar umas palavras com o seu pai.
— Como foi a viagem, mamãe?
— Eu lhe contarei tudo em um minuto. Agora, ande logo. — A voz dela era alta e esganiçada enquanto tentava se acalmar e se recompor enquanto Alfie saía da sala com cautela.
Sophie fechou a porta.
— Você — disse ela. Ele estava sentando à mesa com documentos espalhados pela superfície. — Minette me contou o que disse sobre mim. Como você se atreveu?
— Eu não tenho ideia do que a senhora está falando.
— Tenho sido muito tolerante com você e sua personalidade odiosa, mas isso foi longe demais.
— Personalidade odiosa? — disse ele, claramente ofendido.
— Sedutora?
— Eu nunca disse isso.
— Oh, mesmo? E também não disse que eu participei de um colóquio imoral com o Sr. Herman.
— Eu não. Você participou?!
Incapaz de ser deter, Sophie foi até ele, as mãos em garras, das quais ele se esquivou segurando-a pelos pulsos. Isso estava ficando muito familiar.
— Como se atreve? Sempre conspurcando o meu caráter. Eu nunca fiz isso com você.
— Oh, mesmo? — disse ele com um bufido que só serviu para deixá-la mais irada. — Eu me lembro muito bem de ter sido chantageado para me casar com você.
— E eu era completamente inocente nessa situação. Eu me casei com você de boa-fé, mas você nem sequer se preocupou em tentar me conhecer. E agora diz essas coisas vis sobre mim.
— Eu nunca disse que você se juntou com Herman. Você fez isso?
— E importa o que eu diga? Parece não servir de nada com você. Você tem as suas opiniões e nada pode mudá-las. — Por um momento, ela lutou para que ele liberasse as suas mãos. — Não haverá um limite para a sua vingança?
— Isso não tem nada a ver com vingança.
— Oh, mesmo? Você vem sendo cruel e horrível desde o instante que o conheci, mas isto, isto é perverso.
— Eu nunca disse que você se uniu àquele homem. De onde você tirou isso?
— Então deixou implícito. E que eu estava planejando o mesmo com o vigário.
Puxando as mãos para trás, ele finalmente as soltou.
— Talvez eu tenha dito algo sobre os homens caírem sob o seu feitiço.
— Isso é desprezível. Você é desprezível.
*
Minette podia dizer que o garotinho estava aflito. Os gritos que vinham da sala eram desagradáveis e ofensivos aos ouvidos.
— Venha, Alfred — disse para o menino. — Por que não me mostra esse seu pônei?
Ele não estava se movendo, recusava-se a prestar atenção nela. O foco dele estava nas portas fechadas do escritório.
— Não é tão ruim quanto parece — disse e ele finalmente se virou para ela.
— Eles estão bravos.
— Bem, às vezes, os adultos precisam arejar. As coisas se acumulam. É necessário. Venha, mostre-me o seu pônei.
Mais uma vez, ele olhou para ela, reticente de partir, então ela insistiu.
— Tudo ficará bem — disse ela. — Às vezes as paredes dos castelos precisam ser violadas, e isso só pode ser feito com o uso da força.
Segurando a mão do menino, ela o levou até os estábulos. Ele ainda parecia preocupado, considerando que as duas pessoas mais importantes de sua vida estavam se digladiando no escritório.
— A coisa com os cavalos é que você pode levá-los até a água, mas não pode obrigá-los a beber. — Ele estava ouvindo, mas talvez não entendendo. Então ela se agachou. — Mas, no final, a sede sempre levará a melhor. Às vezes, coisas boas são resultados de uma batalha.
— Minha mãe diz que a guerra não traz não de bom.
— A paz costuma vir após a guerra, e paz é bom, não?
— Por que eles se odeiam tanto?
— Eles não se odeiam. Não de verdade.
— Eu não entendo.
Ela riu.
— Nem eles, mas acho que precisaremos dar um pouco de espaço para que eles possam tentar resolver as coisas. Ficará tudo bem. — Olhando ao redor do campo atrás do estábulo, ela apontou para a menor das criaturas. — Aquele é o seu pônei?
— Artex — disse ele. — Meu pai está me ensinando a montar.
— Ele é um bom professor?
Alfred fez que sim.
Era melhor aqueles dois idiotas estarem resolvendo as coisas no escritório. Ela tinha percorrido toda aquela distância, porque sabia que Tristan era totalmente incapaz de fazer a coisa certa. Orgulho demais e obstinação demais. Na verdade, os dois sofriam disso. Sem um empurrãozinho, aqueles dois estariam pisando em ovos ao redor um do outro por anos. Tristan, sempre frio e tranquilo, estava eriçado de um jeito que ela nunca vira. Minette soube, semanas atrás, que havia ali muito mais do que Tristan reivindicar o filho, mas o homem obstinado faria qualquer coisa que estivesse a seu alcance para conseguir o que era melhor para ele. Sophie seria uma parceira melhor do que Minette jamais imaginou. Era uma vergonha ele não ter visto isso sete anos atrás, mas um homem não está pronto até ele estar pronto.