A Esposa Desprezada

Camille Oster · Capítulo 14 de 43

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A Esposa Desprezada

Capítulo 14

 

Sophie olhou, sem parar, de um lado para o outro enquanto destrancava a porta da loja, como se aquele homem fosse acossá-la com novas acusações elegantes a qualquer momento. Ele parecia vir sem avisar, sempre que queria.

Mas isso não importava. Ele aprenderia que ela não seria intimidada ou persuadida para se curvar à vontade dele. Não ia acontecer.

Um menino apareceu.

— Mensagem, dona. — Havia um papel na mão dele e ele não o entregaria até que ela pagasse, então pegou dois pences em um bolso escondido no seu vestido.

Devia ser de Oliver, porque Aberley nunca a faria pagar pela mensagem. Ele sequer pensaria em algo assim.

Sophie pegou a missiva e entrou na loja.

Fui preso e levado para Coldbath Fields. Preciso da sua

ajuda.

O pavor fincou as garras em Sophie. Isso tinha que ser obra de Aberley. O maldito. Como ele pôde fazer algo tão desprezível? Por um momento, não soube o que fazer. Correria para ajudar Oliver, ou iria confrontar Aberley por ser um lamentável covarde que tinha atacado o irmão dela pelas costas? Se ele queria alguma coisa, ele poderia muito bem se recompor e enfrentá-la como o homem que ele dizia ser. Aquilo era desonesto e desprezível.

Não, tinha que ajudar Oliver primeiro, mas a sensação de pavor só aumentou enquanto saía da loja e a fechava mais uma vez. Não haveria ganhos naquele dia e aquilo faria falta. Sempre parecia ter algo interferindo na sua capacidade de ganhar a vida. Esse foi apenas o último acontecimento.

Acenou para uma carruagem e embarcou. Nervosa, aguardou enquanto o veículo a levava para onde ela sabia ser a prisão dos devedores. Oliver estaria fora de si, completamente incapaz de lidar com tal absurdo.

A carruagem parou na entrada de visitantes. Parecia que ela não tinha sido a primeira pessoa que ele tinha levado até ali, e ela ficou parada olhando para aquele imponente prédio de tijolos. Era uma construção enorme e retangular com janelas pequenas e estreitas.

Um guarda pigarreou.

— Mova-se — disse rispidamente e Sophie sentiu como se estivesse sendo arrebanhada como uma vaca. Seguiu caminho e passou pelo pátio onde carroças descarregavam repolhos. Sophie tremeu ao pensar que tipo de comida seria servida a Oliver. Ele iria morrer de fome.

Um homem em uma escrivaninha a olhou enquanto ela se aproximava.

— Nome do prisioneiro? — perguntou ele.

— Oliver Bancroft.

O homem sorriu maliciosamente e Sophie suspeitou que Oliver tinha sido um incômodo, mas estes homens não ouviam súplicas. Provavelmente gostavam de ver tipos como Oliver recebendo o seu castigo. Não encontraria simpatia ali, pensou.

O homem fez um meneio de cabeça para outro que veio até ela e a pegou pelo braço, levando-a como se ela mesma fosse uma prisioneira. Queria sacudi-lo, mas ao mesmo tempo não queria ser rude no caso de isso fazer com que esses homens sentissem mais prazer em fazer a vida de Oliver ainda mais desconfortável.

Foi levado até uma pesada porta de ferro que tinha uma enorme chave que o guarda tirou de um chaveiro de tamanho considerável. A fechadura girou com dificuldade, o som dos mecanismos ecoou pelas paredes.

Oliver estava sentado perto de uma mesinha. Não havia nada além de uma mesa e duas cadeiras. Sophie correu até ele e eles se abraçaram. O medo e a aflição estavam estampados na cara do irmão. Por tudo o que ele representava, odiava vê-lo dessa forma.

— Eles me prenderam — disse ele. Mas não havia surpresa na voz dele, ele sabia que aquilo estava por vir, ela percebeu. — Eu sinto muito, Sophie. Eu sinto muito ter que fazer isso com você, mas você tem que aceitar a oferta de lorde Aberley.

— Não, eu não posso fazer isso.

— Eu vou morrer aqui — disse ele, a carranca tomava todo o rosto dele. — Não posso terminar os meus dias aqui. Eu nunca sairei. Depois que você entra, nunca mais sai. — Pegando a mão dela, ele implorou. — Você tem que concordar com ele.

— Não — disse ela. Ela não era responsável por isso. Oliver tinha feito aquilo. A bagunça era dele e ele simplesmente a procurou e pediu para que ela arrumasse a bagunça que ele causou. Era o que ele sempre tinha feito. — Estamos falando sobre o futuro de Alfie. Não vou comprometê-lo.

— Isso fará dele um homem rico. Por que você está sendo tão obtusa? Eu não entendo. Você irá me sacrificar só para contrariar aquele homem?

— Ele é horrível. Você está me pedindo para...

— Ele é o pai de Alfie. Goste você ou não, esta é a verdade. Você se casou com ele.

A raiva fez as bochechas dela coraram.

— Você me obrigou.

Uma gargalhada profunda saiu dos lábios dele.

— Você pulou à chance de se casar com um lorde. Não é como se eu a tivesse forçado.

— Eu não fazia ideia que você o tinha forçado. Eu era tão idiota.

Eles ficaram calados por um momento.

— Eu sinto muito — disse Oliver. — Eu não sou o melhor dos irmãos. Eu tentei. Eu consegui para você o melhor marido que eu pude encontrar. Eu não pensei que ele se divorciaria de você.

Ela sabia muito bem que ele procurava obter vantagem quando arranjou aquele casamento com Aberley, mas as intenções dele fariam dela uma mulher rica com uma vida confortável. Ou ao menos ela gostava de acreditar naquilo.

— Eu entendo se você escolher me deixar aqui — disse ele, afastando as mãos. — Você está com raiva de mim.

— Não se trata de raiva. — Mas sim, estava furiosa com ele. Como ele pôde ter feito isso com ela? — Quanto você deve?

— Quinhentas, mais ou menos.

— Quinhentas libras? — disse ela, boquiaberta.

— Não preciso pagar tudo, por volta de trezentas libras e eles me liberam. — Ele voltou a pegar as mãos dela. — Por favor, Sophie. Não me deixe aqui. Eu serei bom. Prometo. Encontrarei um trabalho e lhe pagarei.

— Eu não tenho trezentas libras.

— Mas você pode conseguir.

— E levará quanto tempo para eu terminar em uma workhouse? Tanto eu quanto Alfie?

Oliver baixou a cabeça.

— Eu sei. Eu sinto muito. Acredito que você tenha que aceitar a oferta de Aberley. Alfie estará protegido pelo resto da vida.

— Alfie está muito bem. Você que é uma ameaça para ele. Você fez isso, e deve pagar por isso. Eu não sou sua guardiã. Não sou responsável por saldar as suas dívidas. Não, eu não posso ajudá-lo. — Levantando-se, ela foi cambaleando até a porta e bateu. O guarda veio logo em seguida e ela deixou a sala, incapaz de olhar para o irmão.

Seu coração estava partido. Como ele pôde fazer isso com ela? Por que os homens estavam sempre magoando-a? O pai ao morrer, o irmão... bem, sempre. Aberley. Até mesmo Doug ao morrer nos braços dela. Às vezes, sentia como se estivesse completamente sozinha.

As lágrimas corriam por seu rosto enquanto ela era escoltada pelo guarda indiferente. Ninguém se importava nesse mundo. Todo mundo buscava apenas os próprios interesses. E agora Oliver deixava a responsabilidade de salvá-lo para ela, o que significava que ela teria que vender a loja, a única segurança que tinha no mundo. Como ele pôde ter feito isso com ela?

A desesperança tornava as pessoas egoístas. Ela sabia disso. Tinha feito um trabalho muito bom deixando aquele tipo de desespero afastado, mas aqui estava ele e ela não tinha feito nada para merecer o que estava acontecendo.

Poderia simplesmente dar as costas para o irmão; deixá-lo definhar na prisão, onde ele provavelmente pegaria uma infecção pulmonar? Aquilo acontecia e normalmente era uma bênção. Mas ela tinha o poder para salvá-lo, mas isso lhe custaria muito. Significava aceitar a oferta de Aberley, porque sem a loja não haveria como ela se sustentar.

Quando chegou à rua, esperou poder voltar a respirar, mas a ansiedade levou a melhor e teve que parar para recuperar o fôlego. Sua vida muito bem construída estava ruindo, e não por culpa dela. Aquilo era tão injusto.