A Esposa Desprezada

Camille Oster · Capítulo 38 de 43

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A Esposa Desprezada

Capítulo 38

 

O beijo se aprofundou. Cada parte dele estava pressionado nela e ela podia sentir que ele queria mais, precisava mais. Não havia como negar que ele a desejava.

Afastando-se, ele pôs fim ao beijo, deixando Sophie sozinha e ansiando por mais.

— Se você subir comigo agora, posso lhe garantir que não serei capaz de me conter.

Era a mesma palavra que ela tinha usado para descrevê-lo e agora ele dizia que não poderia se conter com ela. Sophie piscou, tentando desembotar a mente. Ela não queria que ele fizesse isso, ela o queria incontido; desenfreado. Ela queria a rigidez que sentiu. Queria o homem que tinha visto tantos anos atrás, o homem que a desejava também. Aqui estava ele e o seu corpo doía por Tristan.

— Meu controle sobre mim não é forte o bastante. Se você precisa proteger a sua castidade, acho melhor ficar longe de mim por um tempo.

— Nós apenas estaremos fazendo o que todo mundo acha que estamos fazendo — disse ela, ofegante. Não pôde impedir que as mãos fossem para o corpo dele, que sentissem a musculatura sólida por baixo do toque. — Exceto por aqueles que sabem que não fizemos e que desejam que estivéssemos.

— O que você deseja? — perguntou ele, aproximando-se dela mais uma vez, e ela o recebeu com um suspiro de alívio. Não era o que ela sempre quis, mas tinha se relegado a esperar menos. Não desmerecendo Doug, pois ele sempre foi amável, mas a paixão nunca tinha sido profunda como a que sentia agora.

— Neste momento, eu prefiro não pensar.

— Poderá haver consequências.

— Eu amaria as consequências — disse ela, só naquele momento percebeu que ela gostaria muito se houvesse uma consequência. Outra criança traria muita alegria, mesmo se deixasse as coisas ainda mais complicadas. Crianças eram uma bênção, um propósito na vida.

Com lábios sedentos, ele a beijou novamente, a mão segurando-a pela nuca, puxando-a para mais perto. Então ele se afastou, os lábios recuando lentamente.

— Nenhum filho meu nascerá fora dos laços do casamento. Está avisada. Eu tive muitos problemas para corrigir o acontecido da última vez.

Sophie o encarou, os pensamentos dando voltas com aquela declaração.

— Eu sinto muito por ter dificultado tanto as coisas para você.

— Acho que nós dois lidamos com as coisas do jeito errado. Não estou inclinado a fazer o mesmo. Eu quero fazer do jeito certo, você entende?

Ela fez que sim.

— Casamento — declarou ele, para que as coisas ficassem bem claras. Ela piscou. Casamento. Aquela era a condição dele e, para sua surpresa, não foi tão chocante quanto esperava que fosse. Havia uma visão dos dois na sua cabeça, e não eram as fantasias de uma mocinha, mas o consolo e a comunhão que ela buscava como mulher. Sim, eles brigariam quando fosse necessário, mas eles também poderiam ser muito mais. Quando concordavam, eles ficavam felizes um com o outro. Então, agora, eles estavam concordando? Ela concordaria em se casar com este homem caso houvessem consequências?

— Sim — disse, finalmente. Na verdade, naquele momento, ela esperava que ele não estivesse tendo ideias de um casamento antes da consumação, porque seu corpo estava pegando fogo. A tensão dentro dela precisava de alívio e ela não queria esperar que o vigário fosse chamado, ou pior, ter que esperar dias pela licença de casamento. — Podemos ir lá para cima? Agora? — perguntou ela.

Ele sorriu, um sorriso luxurioso que se espalhou pelos lábios dele, o qual ela adorou ver. Tudo nele mudava completamente quando ele sorria, e ela doeu ainda mais por dentro.

— Desde que você prometa que dirá sim no altar.

— E alguma vez eu disse não para você no altar?

Com aquele sorriso ainda nos lábios, ele se aproximou, mas então ficou distraído com os lábios dela. As mãos dele foram furtivas até as suas coxas, puxou-as em volta dele enquanto ele subia as escadas e ia para o quarto, então fechou a porta com um chute.

— Eu, com certeza, vou prendê-la a essa promessa — disse ele enquanto a colocava sobre a cama.

Sophie amou o calor nos olhos dele, o desejo, a possessividade. Era assim que um homem deveria olhar para ela, e aquilo não tinha estado lá antes. Ele queria consumi-la, e ela queria consumi-lo também.

Com o joelho entre os dela, ele se inclinou e voltou a beijá-la, Sophie o recebeu, puxando-o para baixo. O peso dele era glorioso, as coxas dela o prendiam. Por que levou tanto tempo para chegarem a este momento, parecia tão natural agora. De certa forma, parecia como se ela estivesse se escondendo disso: um pouco assustada com o que poderia acontecer, porque, naquele instante, ela sabia que não havia como voltar atrás. Se ele a machucasse de novo, ela não tinha certeza se poderia estancar o ferimento.

Afastando-se, ele trilhou beijos pelo seu pescoço e mais abaixo. Os olhos de Sophie se fecharam com o prazer, até que as mãos dele agarraram o decote do vestido e o rasgou.

— Ôpa — disse ele. — Rasgou? O vestido está arruinado. Que vergonha. Embora eu deva admitir que ele me deixou distraído mais vezes do que eu reparei. Mas não posso andar por aí preocupado que ele tenha o mesmo efeito nos outros. Ao que parece, sou um homem ciumento e isso me fará encontrar o meu túmulo muito antes da hora.

Pairando por um momento, o calor dele a provocou antes que a boca dele envolvesse o seu mamilo e o provocasse até que o corpo dela arqueou. Sensações subiam e desciam pelo seu corpo, indo direto para o seu sexo, onde mais precisava dele. A língua firme sacudia o mamilo incansavelmente, enviando ondas de prazer por todo o seu corpo.

Sua garganta fechou, ela não podia respirar. Ela não precisava de ar, precisava dele, buscando o contato pelo qual doía. Inclinando-se ainda mais, ele rasgou o vestido mais um pouco, puxando a parte da frente até que o tecido cedeu. Então ele tirou a camisa por sobre a cabeça e ficou nu diante dela. Forte e magnífico. Saudável, pensou com um pouco de culpa, mas ele era tão lindo. As mãos dela buscaram por ele, recebendo a pele quente enquanto ele voltava a se aproximar dela.

Eficiente, ele abriu o calção e voltou a ficar entre as suas coxas.

— Você será a minha ruína — disse ele entre arfadas. — Por favor, saiba disso. — Mas Sophie estava muito além de qualquer pensamento. Palavras não significavam nada, só a dor do desejo que sentia por ele.

Ele investiu lentamente. Era um momento de quietude, uma sensação de total desordem. Plenitude, dor e tensão. Também pareceu certo e maravilhoso, como se eles tivessem que se reunir assim. Entrando até o punho, ele se viu envolto por ela, e eles ficaram pele com pele. A plenitude dele dentro dela fez o seu corpo apertar ao redor dele.

Respirar era impossível, mas Sophie precisava de mais, precisava que ele se movesse. Com as mãos no traseiro dele, ela o fez se enterrar ainda mais e o seu corpo se agitou ao redor dele. Ondas de prazer a afogaram, mas ela precisava de mais.

Afastando-se, ele voltou a entrar. Uma nova leva de sensações tempestearam pelo seu corpo e ela buscou os lábios dele, precisando daquela intimidade. Os lábios dele roçaram nos dela enquanto ele se movia com firmeza, de novo e de novo, até que ela não podia mais aguentar.

Agora era ela quem encarava a ruína, a total e completa ruína. Era disso que precisava. Ele dentro dela. Como ela queria amá-lo, e agora eles estavam sendo arruinados no corpo um do outro. Ele era o pai do seu filho, e talvez até mesmo o cavalheiro que uma vez ela pensou que ele fosse.

Os gemidos dele reverberavam pela sua mente, alimentando a paz dentro dela; alimentando o prazer. Erguendo ainda mais os joelhos, ela o trouxe mais profundamente, querendo tudo o que ele tinha para lhe dar.

A tensão aumentou ainda mais, não sabia o que fazer com ela, até uma onda profunda e maravilhosa começar a tomá-la. Ele não se movia mais, só gemia enquanto cada parte do corpo dele enrijecia. Ele se derramou dentro dela e ela queria isso, queria ele.

Tremores profundos e reverberantes viajaram do corpo dele para o dela. As convulsões de prazer foram diminuindo aos poucos e ela se sentiu extremamente exposta a eles, seu corpo sensível a cada sensação.

A totalidade do peso dele se afundou nela e ela o envolveu com os braços e aninhou o rosto no cabelo dele. Queria ficar assim para sempre, mesmo com os pulmões implorando por ar.

Finalmente, ele virou de lado, saindo de dentro dela. De costas, ele respirou fundo, tentando recuperar o fôlego. Ele a puxou para si, para dentro dos braços dele e não permitiu que ela se afastasse.

— Ontem você comprou algo que poderia servir como vestido de casamento?

Ela parou de beijar o peito dele mesmo enquanto ainda podia sentir o gosto dele em sua língua. Ele prosseguiria com o casamento mesmo sem ser forçado pelas consequências? Parecia que sim. Talvez ele estivesse apaixonado por ela de verdade.

Não que ela tivesse duvidado das palavras dele, mas talvez não tivesse entendido a validade delas até que eles tivessem essa total intimidade, onde cada defesa estaria descansando. Naquele momento, enquanto ela olhava nos olhos dele, ela pôde ver vulnerabilidade. Os olhos dele buscavam os dela. Ele estava lhe dando tudo, podia ver nos olhos dele, e a resposta estava por conta dela. Lá embaixo, ela disse sim, mas assim, completamente nua e vulnerável, ela tinha que dar a ele a resposta definitiva e verdadeira. Ela o tomaria como marido? Mesmo depois de tudo o que tinha acontecido entre eles, ela sabia que havia mais coisa ali do que transparecia. Não havia nada nela que ela tivesse escondido dele, em partes como forma de espantá-lo, mas ali estava ele, pedindo que ela desse um salto no escuro, com ele.

Ela fez que sim.

— Tenho certeza de que um deles servirá. Não precisamos casar neste momento. Eu não vou a lugar nenhum. Prometo.

Aproximando a cabeça, ele a beijou na testa.

— Eu vou cobrar essa promessa. Mas eu acho que devemos nos casar o mais rápido possível. Acho que haverá consequências.

— Você está tão seguro assim da sua virilidade? — perguntou ela com um sorriso, provocando-o.

— Nós temos um bom histórico no que diz respeito a isso.

Aquilo era verdade e, bem, ela nunca tomou um homem tão profundamente quanto tinha feito agora. Foi o que pareceu, ao menos, ou talvez ela só precisava aceitar o homem no seu coração, assim como no seu corpo.

— Precisaremos de uma lua-de-mel apropriada dessa vez — disse ele.

— Dessa vez — repetiu ela, pensando em como aquilo pareceu engraçado.

— Para onde você gostaria de ir?

— Eu não me importo. Só quero estar aqui — disse ela, apontando para eles. Era isso o que queria, um homem que abandonasse toda a afetação e simplesmente se entregasse a ela. Não havia nada ali além de um homem e uma mulher que desejavam um ao outro.

Ele pareceu entender e por um momento, eles ficaram ali, em silêncio. Então ele sorriu, trazendo leveza àquela conversa.

— Bem, eu sempre quis viajar. Iremos os três. Mary terá que ir também. Haverá vezes que eu quererei você só para mim. Veneza? Paris?

Sophie pensou no assunto.

— Eu sempre quis conhecer os Alpes.

Ele pensou naquilo por um momento.

— Podemos fazer isso. Iremos aos Alpes.

— Teremos que casar antes de Minette ir embora. Ela poderá ser testemunha.

Com um sorriso, Sophie percebeu que ela se casaria no momento em que seus novos vestidos chegassem, o que provavelmente seria naquela tarde. Ela não se importava, mas Tristan estava ansioso. Era fofo. Ele temia que algo desse errado? Com o histórico deles, talvez fosse compreensível, mas ele não precisava se preocupar com nada. Ela não iria a lugar algum.

Nenhum deles se moveu, estavam confortáveis demais nos braços um do outro. Eles só ficaram lá, às vezes só se olhando. Outra, repetindo o ato sexual de tirar o fôlego, totalmente incapazes de se fartarem.

Eles perderam o jantar, já que ninguém veio lembrá-los. Provavelmente, obra de Minette. Era rude deixá-la jantar sozinha, mas Sophie suspeitava que ela estava bem feliz com aquele acontecimento.