As Fábulas de Esopo Ilustradas
Fábula XIV
O Homem e a Doninha
Um Homem que caçava ratos apanhou na armadilha uma Doninha. Esta, vendo-se em seu poder, pediu-lhe que a soltasse, e disse em seu favor que ela nenhum mal lhe fazia, pelo contrário, limpava-lhe a casa de ratos e bichos.
Respondeu o homem:
— Se tu por acaso izesses isso por bem, devia-te eu agradecimento; mas como o fazes por teres fome, não te devo nada, antes te quero matar, que se os bichos te faltarem, comerás o que é meu, pior ainda do que os próprios ratos.
Do que os homens fazem em seu benefı́cio nenhum agradecimento se lhes deve; a boa obra deve ser voluntária e não por acaso, para que quem a recebe a deva agradecer. Esta Doninha é como muitos homens que até as más obras que fazem querem vender com boas palavras e desejam que se lhes ique devendo.
Porém é a intenção que dá à obra o seu valor; quem me deu uma lançada para me matar e me lancetou o abcesso que me matava não foi amigo, apesar de me ter dado saúde. Esta devo-a só a Deus, que por mão do inimigo ma quis dar.