As Fábulas de Esopo Ilustradas
Fábula XLIV
O Falcão e o Rouxinol
Certa manhã, um Falcão apoderou-se do ninho onde o Rouxinol tinha os
ilhos e quis matá-los. O Rouxinol começou com muita brandura a
suplicar-lhe que não os matasse e que icaria ao seu serviço.
O Falcão disse que icaria contente se o Rouxinol cantasse de um modo que o satis izesse. Principiou o triste Rouxinol a cantar muito sentido e suave. Porém, o Falcão, mostrando-se descontente com a música, começou a comer-lhe os ilhos. Entretanto chega por trás um caçador e apanha o Falcão com um laço, em que o prendeu e o levou de rasto, e o Rouxinol icou livre.
Este Falcão representa os tiranos e desalmados, que por nenhumas razões, ainda que muito justi icadas, desistem de prejudicar os que podem pouco; mas neste entremeio chega a Justiça divina, que os caça no laço da morte e os lança no inferno, e muitas vezes, para consolação dos bons, os a lige visivelmente nesta vida com pena temporal.