As Fábulas de Esopo Ilustradas

Esopo · Capítulo 66 de 118

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As Fábulas de Esopo Ilustradas

Fábula LXV

 

O Lobo e a Raposa

Um Lobo precavido abasteceu muito bem o seu covil de mantimentos. Passado um tempo, a Raposa foi ter com ele e disse que muito o admirava e que estava ansiosa por vê-lo e servi-lo.

— Não quero o teu serviço — disse o Lobo —, que a tua intenção não é outra senão roubar-me e comeres-me o que tenho.

A Raposa, vendo-se descoberta, procurou quem matasse o Lobo e tomou posse do seu covil e de quanto nele havia, mas vieram uns caçadores, foi achada pelos cães e feita em pedaços.

Na morte desta Raposa declara-se o im que merecem os que desejam e procuram a morte de seus parentes para herdar deles. Esses, se chegam a alcançar o que pretendem por meios tão ilı́citos, as mais das vezes não o gozam, e muitas o perdem com a vida e a honra, porque o mal adquirido, dizem os Latinos, por entre as mãos escorrega.