As Fábulas de Esopo Ilustradas

Esopo · Capítulo 47 de 118

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As Fábulas de Esopo Ilustradas

Fábula XLVII

 

O Rato e a Doninha

Uma Doninha, como não pudesse já caçar de tão velha e cansada que estava, usava esta artimanha: enfarinhava-se toda e punha-se muito quieta a um canto da casa.

Vinham alguns Ratos que, pensando que a Doninha era outra coisa, se aproximavam para comer e ela apanhava-os comia-os.

Por im veio um Rato velho, que tinha já escapado de muitas armadilhas, e pondo-se de longe disse:

— Por mais artes que uses, não me apanharás. Engana à vontade esses pequenos, mas eu conheço-te bem e não hei de chegar-me a ti.

E, dizendo isto, foi-se.

Na Doninha se pode ver que quem é criado em más manhas, nem por velhice as perde. Quem se acostuma a furtar, ou o baraço ou a morte lho há de tirar; e quando já não podem usar da força, com rebuços, manhas e traições usam os seus maus ofı́cios, como gente que tem perdida a vergonha e temor de Deus.