As Fábulas de Esopo Ilustradas
Fábula LXXXVII
A Raposa e o Leão
Tinha a Raposa o seu covil bem fechado e estava lá dentro a gemer, porque estava doente; chegou à porta um Leão e perguntou-lhe como estava, e que a deixasse entrar, porque a queria lamber, que tinha virtude na lı́ngua, e lambendo-a, logo havia de sarar.
Respondeu a Raposa de dentro:
— Não posso abrir, nem quero. Creio que a tua lı́ngua tem virtude; porém é tão má vizinhança a dos dentes, que lhe tenho grande medo, e portanto antes quero sofrer com o meu mal.
Avisa-nos esta raposa que quando nos oferecem alguma coisa boa, notemos as circunstâncias dela, que às vezes são tais que custam muito mais do que vale a obra pia.