As Fábulas de Esopo Ilustradas
Fábula XXVII
A Águia e o Grou
A Aguia apanhou um Cágado para comer, e trazia-o pelo ar e dava-lhe picadas, mas não conseguia matá-lo porque estava muito recolhido na sua carapaça. A Aguia estava a icar furiosa com isto, mas entretanto chega o Grou, que diz:
— A caça que apanhaste é decerto muito boa, mas não poderás saboreá-la senão por artimanha.
A Aguia propôs que, se lhe ensinasse a artimanha, repartiria com ele o que caçara. O Grou disse então:
— Sobe acima das nuvens e de lá deixa cair o Cágado em cima de uma pedra, que quebrará a carapaça, deixando a carne descoberta.
A Aguia assim fez, e sucedendo o queriam, comeram ambos da caça.
Na guerra, e em qualquer negócio, vale mais a sageza do que a força. Há negócios muito árduos que apenas se concluirão por manha, e sem ela a força pouco ou nada vale. Foi isto que quiseram mostrar os poetas na companhia e amizade do sábio Ulisses com o valente Diomedes, porque valentia sem manha poucas ou nenhumas vezes dá fruto proveitoso a seu dono, e um conselho bom vale mais que muitos maus.