As Fábulas de Esopo Ilustradas
Fábula LXXVIII
A Panela de barro e a de cobre
Uma corrente de água levava duas panelas, uma de cobre e outra de barro, e cada uma ia por seu lado. Disse a de cobre à outra:
— Cada uma de nós isoladamente não tem força para resistir à água, mas chega-te a mim e ambas poderemos resistir-lhe.
— Não quero — disse a de barro —, nem daı́ me vem qualquer benefı́cio, porque se na água tu me deres uma pancada, ou eu ta der a ti, de qualquer maneira tu icarás sã, e eu far-me-ei em pedaços.
Quem se junta com homem mais poderoso corre grande risco, porque os poderosos são de cobre e os pobres de barro, e a corda quebra sempre pelo mais fraco. E se dois poderosos têm brigas, e depois querem concertar-se, fazem tão pouco caso da honra dos pobres que os ajudaram nelas que muitas vezes fazem concertos, como fez Augusto com Lépido e Marco António, que, para se vingarem dos seus inimigos, cada um entregou os seus amigos à morte.