O Assunto é Vinho
Qual é o teor alcoólico
de um bom vinho?
SARDENBERG: E a questão da gradação alcoólica do vinho. Há
vinhos de 12, 13, 14 graus. Como é que a gente deve buscar o
equilíbrio nesse aspecto?
RENATO MACHADO: Depende do vinho. Outro dia eu vi um vinho
tinto do Novo Mundo com gradação 15,6 graus, praticamente
16 graus, o que o tornaria equivalente a um vinho de Xerez,
do Porto e da Ilha da Madeira, fortificados com aguardente.
Normalmente, um vinho do Porto tem 18 ou 20 graus. Então,
um vinho tinto com 16 graus é um desequilíbrio total.
SARDENBERG: Existe um padrão em relação à gradação ou varia
conforme a uva?
RENATO MACHADO: Varia conforme a uva e conforme a maturidade
do vinho na hora da colheita e há vinhos com muito mais cor,
como os Californianos e argentinos, porque recebem muito
sol. A gente compreende que um vinho desses tenha até 14
graus ou acima disso, mas a insistência nesses vinhos pode
prejudicar a degustação. Falando isso lembro o enólogo
Michel Roland, que é responsável por grande parte desses
supervinhos turbinados, de alto poder alcoólico, Californianos
e argentinos, provenientes de regiões desérticas, onde não
chove, a insolação é muito longa, e a gradação alcoólica sobe
porque a quantidade de açúcar é maior. Agora, respondendo à
sua primeira pergunta, o equilíbrio fica entre 12,5 e 13 graus. SARDENBERG: Quer dizer que os melhores vinhos do mundo estão
nessa faixa?
RENATO MACHADO: Sem dúvida, os grandes Bordeaux são a 12,5
graus; os Borgonhas são a 13 graus, ocasionalmente alguns
Borgonhas e Côtes du Rhône vão a 13,5 graus. Mas estamos
falando de vinhos com muita fruta e potência para comer com
gastronomia farta, cheia de molho. Eu não acredito que acima
de 13,5 exista equilíbrio e muito menos refinamento.
SARDENBERG: Vinho com teor alcoólico de 16 graus é coisa de
cachaceiro, é isso?
RENATO MACHADO: Veja bem, há vinhos assim, no Alentejo, na
Argentina, como o célebre Yacochuya, que é acima de 16
graus.