O Assunto é Vinho

Carlos Alberto Sardenberg e Renato Machado · Capítulo 5 de 53

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O Assunto é Vinho

SARDENBERG: Temos a pergunta do José Eduardo Barbosa: “A

Paris nem sempre

é uma festa

 

SARDENBERG: Temos a pergunta do José Eduardo Barbosa: “A

partir de que valor, aqui no Brasil, é possível comprar um

bom Bordeaux?”

RENATO MACHADO: Bem, um bom Bordeaux é complicado porque o

valor é alto. Os Bordeaux têm um problema. Os Bordeaux

modernos têm de esperar um pouco na adega. Mesmo assim,

são caros, a não ser os pequenos Bordeaux, os pequenos

châteaux, que ficam em US$ 27, US$ 30 — num câmbio a R$

2,50, em torno R$ 80, isso se conseguir a preço de

importador. Agora, eu recomendaria a safra de 1997.

SARDENBERG: Outra dúvida, agora do Fernando Rabelo. Ele vai

receber uns amigos europeus e quer oferecer um vinho

nacional. Pede uma indicação para fazer bonito.

RENATO MACHADO: Olha, depende de que vinhos os amigos estão

acostumados a beber.

SARDENBERG: Porque o europeu pode ser um francês bem-

acostumado ou um sueco.

RENATO MACHADO: Ou pode ser um francês mal-acostumado. Os

franceses, por exemplo, não são grandes conhecedores de

vinho. Há os conhecedores de vinho em qualquer país e há as

pessoas que não conhecem vinho em qualquer país, e

sobretudo na França. Paris, por exemplo, não é uma cidade Rolha estragada

grande conhecedora de vinhos, não é um lugar para tomar

bons vinhos. Mas, retomando a conversa, eu tomei o tannat

do Dal Pizzol, se não me engano 2002, numa mesa em que

havia franceses. E um francês, que é um grande conhecedor

porque é um produtor de vinhos da Borgonha e um dos

personagens do filme Mondovino, o Ettiene de Monti, aprovou

o vinho tannat do Antonio Dal Pizzol. É um vinho feito com

toda a honestidade, tem uma bela cor, uma boa estrutura e

pode ser um vinho gastronômico, acompanhar perfeitamente

uma entrada e um prato.