O Assunto é Vinho
SARDENBERG: Vamos falar sobre os vinhos e as comidas japonesas.
Comida japonesa
com vinho branco?
SARDENBERG: Vamos falar sobre os vinhos e as comidas japonesas.
RENATO MACHADO: Até cinco anos atrás havia uma desconfiança de
que a comida japonesa era muito condimentada e isso
prejudicava a degustação dos vinhos. Mas o que ficou provado
nos últimos cinco anos é o contrário. É que o peixe, que é a
base da comida oriental, necessita de um vinho. É difícil
imaginar um peixe cru ou não cru tomado com água. Seria
quase uma ofensa ao prato. Então, os vinhos brancos são
necessários para a comida oriental e, hoje em dia, a uva
riesling é a que preenche esse espaço, embora existam outras
uvas possíveis, como a uva chardonnay, não-amadeirado. Mas
eu acho que os rieslings que têm muito perfume, sejam da
Alsácia, Austrália, Nova Zelândia, e até determinados
sauvignons da América do Sul são fundamentais para a
degustação da comida japonesa.
SARDENBERG: Renato, o que nós achamos do saquê, que é o vinho
de arroz?
RENATO MACHADO: Olha, Sardenberg, este é um programa de
vinhos, mas o saquê é maravilhoso com a comida japonesa. É
claro que a comida japonesa dá oportunidade para conhecer
outras coisas igualmente aromáticas. O saquê é mais neutro,
e por ser mais neutro a pessoa pode achar que é água — e aí
acaba se divertindo um pouco além da conta.
SARDENBERG: Você toma o saquê daquele jeito, na caixinha com
sal?
RENATO MACHADO: Não, sem o sal. Na caixinha sem o sal. O sal
pode ser um fator de perturbação.
SARDENBERG: Além de não fazer bem para a pressão.
RENATO MACHADO: É verdade.
SARDENBERG: Está certo. Então, nós gostamos de saquê?
RENATO MACHADO: Nós gostamos, sem dúvida.
SARDENBERG: Renato, você tirou um peso da minha consciência,
porque eu gostava tanto de saquê...
RENATO MACHADO: Mas você pode continuar gostando, porque eu
acho que é um dos casamentos ideais, mas não é o único.