O Assunto é Vinho
SARDENBERG: Hoje vamos falar dos vinhos chilenos.
O segredo das
velhas famílias
SARDENBERG: Hoje vamos falar dos vinhos chilenos.
RENATO MACHADO: Olha, você sabe que o Chile tem uma história
moderna e uma história antiga.
SARDENBERG: E de qual nós gostamos mais?
RENATO MACHADO: Nós gostamos muito da história antiga do Chile
e da tradição que o Chile tem da busca de um vinho possível.
Temos de lembrar que na década de 50 e 60 a gente não dava
muita bola para o vinho. E os chilenos já davam muita
atenção ao vinho. Então, os chilenos sempre fizeram vinho,
desde o final do século XIX. Na década de 70, quando eu
comecei a me interessar por vinhos, os que existiam no Brasil
eram muito limitados. Havia o Cousiño Macul. Tinha o
Cousiño Macul comum e o reserva. Mas o Cousiño Macul era
feito de cabernet sauvignon. Hoje, o vinhedo, que pertence à
mesma família, continua fazendo cabernet sauvignon,
chardonnay etc. Estou aqui provando um cabernet sauvignon
que vai fazer um lançamento da Cousiño Macul, chamado
Lota. Para mim ainda é muito jovem e tem de ser mais
refinado ao longo do tempo, mas mantém aquela tradição de
plantar cabernet sauvignon no Chile, porque hoje em dia se
plantam vários tipos de uva no Chile. Eu acho que essas
velhas famílias têm que ser observadas com atenção.
SARDENBERG: Olha, nós acabamos respondendo a ouvinte Gisela. Para iniciantes
Ela vai para o Chile e quer saber quais vinícolas deve visitar.
RENATO MACHADO: A vinícola Cousiño Macul, no Vale do Maipo,
bem perto de Santiago, e a vinícola Santa Rita, dona de uma
propriedade muito bonita. São duas vinícolas que têm um
vínculo com a história. Mas há vinícolas modernas no Vale de
Casablanca, no próprio Vale do Maipo. Ao visitar a vinícola, a
gente tem de pedir o vinho turístico, mas também o bom
vinho da casa. Aí vai depender do charme de cada pessoa em
fazer o proprietário mostrar os tesouros escondidos.
SARDENBERG: Ana Cristina Cruz e Silva, de Brasília, diz que o pai é
apreciador de vinhos, escuta seus programas, mas ela não
costumava beber vinho e agora quer se iniciar. E a pergunta
dela é a que todo mundo faz: “Existe um vinho mais fácil para
iniciantes?”
RENATO MACHADO: Olha, todo vinho é bom para iniciantes e
escolados. Agora, eu sugeriria um vinho tinto que não tivesse
muita acidez, um bom cabernet sauvignon do Chile. O vinho
que custa muito pouco não é bom, pode dar uma má
impressão a quem está chegando. Tem de gastar um
pouquinho mais e comprar um bom vinho do Chile, um
cabernet sauvignon moderno.
SARDENBERG: Pois é, porque, se começar com um vinho meia-boca,
aí de cara não vai gostar.
RENATO MACHADO: Exatamente. Se for, por exemplo, um vinho de
muita acidez, lembrando um vinagre, ou um vinho pouco
espesso, bem ácido, acho que a impressão não vai ser boa. Há
determinados vinhos que só lá na frente ela vai apreciar,
como é o caso de alguns brancos. Por isso que acho que um
tinto deve ser maduro, por isso um reserva, e o reserva custa
mais caro.
SARDENBERG: E qual prato para acompanhar?
RENATO MACHADO: Com um bom bife, com sal grosso.