O Assunto é Vinho

Carlos Alberto Sardenberg e Renato Machado · Capítulo 31 de 53

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O Assunto é Vinho

SARDENBERG: Hoje vamos falar dos vinhos chilenos.

O segredo das

velhas famílias

 

SARDENBERG: Hoje vamos falar dos vinhos chilenos.

RENATO MACHADO: Olha, você sabe que o Chile tem uma história

moderna e uma história antiga.

SARDENBERG: E de qual nós gostamos mais?

RENATO MACHADO: Nós gostamos muito da história antiga do Chile

e da tradição que o Chile tem da busca de um vinho possível.

Temos de lembrar que na década de 50 e 60 a gente não dava

muita bola para o vinho. E os chilenos já davam muita

atenção ao vinho. Então, os chilenos sempre fizeram vinho,

desde o final do século XIX. Na década de 70, quando eu

comecei a me interessar por vinhos, os que existiam no Brasil

eram muito limitados. Havia o Cousiño Macul. Tinha o

Cousiño Macul comum e o reserva. Mas o Cousiño Macul era

feito de cabernet sauvignon. Hoje, o vinhedo, que pertence à

mesma família, continua fazendo cabernet sauvignon,

chardonnay etc. Estou aqui provando um cabernet sauvignon

que vai fazer um lançamento da Cousiño Macul, chamado

Lota. Para mim ainda é muito jovem e tem de ser mais

refinado ao longo do tempo, mas mantém aquela tradição de

plantar cabernet sauvignon no Chile, porque hoje em dia se

plantam vários tipos de uva no Chile. Eu acho que essas

velhas famílias têm que ser observadas com atenção.

SARDENBERG: Olha, nós acabamos respondendo a ouvinte Gisela. Para iniciantes

Ela vai para o Chile e quer saber quais vinícolas deve visitar.

RENATO MACHADO: A vinícola Cousiño Macul, no Vale do Maipo,

bem perto de Santiago, e a vinícola Santa Rita, dona de uma

propriedade muito bonita. São duas vinícolas que têm um

vínculo com a história. Mas há vinícolas modernas no Vale de

Casablanca, no próprio Vale do Maipo. Ao visitar a vinícola, a

gente tem de pedir o vinho turístico, mas também o bom

vinho da casa. Aí vai depender do charme de cada pessoa em

fazer o proprietário mostrar os tesouros escondidos.

 

SARDENBERG: Ana Cristina Cruz e Silva, de Brasília, diz que o pai é

apreciador de vinhos, escuta seus programas, mas ela não

costumava beber vinho e agora quer se iniciar. E a pergunta

dela é a que todo mundo faz: “Existe um vinho mais fácil para

iniciantes?”

RENATO MACHADO: Olha, todo vinho é bom para iniciantes e

escolados. Agora, eu sugeriria um vinho tinto que não tivesse

muita acidez, um bom cabernet sauvignon do Chile. O vinho

que custa muito pouco não é bom, pode dar uma má

impressão a quem está chegando. Tem de gastar um

pouquinho mais e comprar um bom vinho do Chile, um

cabernet sauvignon moderno.

SARDENBERG: Pois é, porque, se começar com um vinho meia-boca,

aí de cara não vai gostar.

RENATO MACHADO: Exatamente. Se for, por exemplo, um vinho de

muita acidez, lembrando um vinagre, ou um vinho pouco

espesso, bem ácido, acho que a impressão não vai ser boa. Há

determinados vinhos que só lá na frente ela vai apreciar,

como é o caso de alguns brancos. Por isso que acho que um

tinto deve ser maduro, por isso um reserva, e o reserva custa

mais caro.

SARDENBERG: E qual prato para acompanhar?

RENATO MACHADO: Com um bom bife, com sal grosso.