O Assunto é Vinho
Chablis fora da França
nem pensar
SARDENBERG: O Jéferson, nosso ouvinte de São Bernardo do
Campo, de São Paulo, quer saber se vinhos chablis que não
são produzidos na França são confiáveis.
RENATO MACHADO: Não, não são porque o nome, a denominação é
exclusiva. Você só pode chamar de chablis os vinhos
produzidos na região de Chablis, no norte da França. Esse
nome foi registrado, foi objeto de disputas internacionais. Eu
me lembro até que na década de 70 havia chablis que não
eram da França. Mas só pode ser chamado de chablis o vinho
cultivado naquela região. É da uva chardonnay, plantada em
solo calcário e em condições muito frias.
SARDENBERG: Agora, há bons vinhos chardonnays feitos fora da
França?
RENATO MACHADO: Sem dúvida. Há chardonnays magníficos, que
ou têm o nome do produtor e da uva no rótulo, que é a
fórmula americana, ou têm o nome da região. Há
chardonnays da Borgonha, dos Estados Unidos, do Chile, da
Austrália que são famosos, mas não têm nada a ver com
chablis. Não dá para comparar chardonnay do Novo Mundo
com o chardonnay de Chablis. O chablis tem uma
característica mineral, com acidez pronunciada, para
combinar com determinadas comidas.
A felicidade é o limite!
SARDENBERG: Wagner Pinheiro, de Niterói (Rio de Janeiro), pede
uma sugestão para comemorar o seu noivado. Ainda tem
gente que fica noivo, Renato?
RENATO MACHADO: Pois é. Se já quer comemorar no noivado,
imagine no casamento. Bem, o noivado pode ser comemorado,
claro, com um espumante ou com um bom champanhe. Se
for uma festa muito grande, eu sugiro um espumante mais
acessível; se for uma festa mais íntima, por que não um
champanhe para ver se dá sorte e se o casamento já pode ser
pré-comemorado? É claro que a bebida do casamento e do
noivado sempre foi o espumante de qualquer nacionalidade,
preferencialmente francesa, mas outras nacionalidades
também podem disputar essa competição. Porém, no jantar
de noivado, por que não tentar brancos e tintos de boa
qualidade? Eu aconselho aos noivos fixar um piso de gastos e,
daí para cima, a felicidade é o limite.
SARDENBERG: Ah, gostei disso... A felicidade é o limite! Tem de
começar bem, né?
RENATO MACHADO: Lógico, pois, se se trata de um noivado, vamos
começar com o pé direito, porque quem sabe o casamento
será bem melhor e vai durar muito tempo.
Vinhos canadenses
SARDENBERG: Fernando é nosso ouvinte lá no Canadá e diz que
sempre acompanha as nossas conversas sobre vinhos. Ele foi
visitar a região vinícola do Canadá e pergunta por que não
ouvimos falar de bons vinhos canadenses?
RENATO MACHADO: Olha, existem vinhos canadenses de destaque,
basicamente os doces, de sobremesa. São uvas chardonnays,
brancas, que dão vinhos licorosos. E o que coloca o Canadá
no mapa mundial do vinho são os icewines, os vinhos de gelo.
Com a geada natural, você conserva a uva e o açúcar da uva e
colhe a uva congelada. No momento em que colhe a uva
congelada, você a coloca em uma barrica e espera descongelar
ali. E aí é que está o grande segredo do Canadá, que são os
vinhos licorosos, um dos mais famosos é o Inniskillin.
SARDENBERG: Ele disse que os vinhos comuns de lá são muito
caros.
RENATO MACHADO: Sem dúvida, e é por isso que o Canadá não está
no mercado internacional.