O Assunto é Vinho

Carlos Alberto Sardenberg e Renato Machado · Capítulo 45 de 53

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O Assunto é Vinho

Chablis fora da França

nem pensar

 

SARDENBERG: O Jéferson, nosso ouvinte de São Bernardo do

Campo, de São Paulo, quer saber se vinhos chablis que não

são produzidos na França são confiáveis.

RENATO MACHADO: Não, não são porque o nome, a denominação é

exclusiva. Você só pode chamar de chablis os vinhos

produzidos na região de Chablis, no norte da França. Esse

nome foi registrado, foi objeto de disputas internacionais. Eu

me lembro até que na década de 70 havia chablis que não

eram da França. Mas só pode ser chamado de chablis o vinho

cultivado naquela região. É da uva chardonnay, plantada em

solo calcário e em condições muito frias.

SARDENBERG: Agora, há bons vinhos chardonnays feitos fora da

França?

RENATO MACHADO: Sem dúvida. Há chardonnays magníficos, que

ou têm o nome do produtor e da uva no rótulo, que é a

fórmula americana, ou têm o nome da região. Há

chardonnays da Borgonha, dos Estados Unidos, do Chile, da

Austrália que são famosos, mas não têm nada a ver com

chablis. Não dá para comparar chardonnay do Novo Mundo

com o chardonnay de Chablis. O chablis tem uma

característica mineral, com acidez pronunciada, para

combinar com determinadas comidas.

A felicidade é o limite!

 

SARDENBERG: Wagner Pinheiro, de Niterói (Rio de Janeiro), pede

uma sugestão para comemorar o seu noivado. Ainda tem

gente que fica noivo, Renato?

RENATO MACHADO: Pois é. Se já quer comemorar no noivado,

imagine no casamento. Bem, o noivado pode ser comemorado,

claro, com um espumante ou com um bom champanhe. Se

for uma festa muito grande, eu sugiro um espumante mais

acessível; se for uma festa mais íntima, por que não um

champanhe para ver se dá sorte e se o casamento já pode ser

pré-comemorado? É claro que a bebida do casamento e do

noivado sempre foi o espumante de qualquer nacionalidade,

preferencialmente francesa, mas outras nacionalidades

também podem disputar essa competição. Porém, no jantar

de noivado, por que não tentar brancos e tintos de boa

qualidade? Eu aconselho aos noivos fixar um piso de gastos e,

daí para cima, a felicidade é o limite.

SARDENBERG: Ah, gostei disso... A felicidade é o limite! Tem de

começar bem, né?

RENATO MACHADO: Lógico, pois, se se trata de um noivado, vamos

começar com o pé direito, porque quem sabe o casamento

será bem melhor e vai durar muito tempo.

Vinhos canadenses

 

SARDENBERG: Fernando é nosso ouvinte lá no Canadá e diz que

sempre acompanha as nossas conversas sobre vinhos. Ele foi

visitar a região vinícola do Canadá e pergunta por que não

ouvimos falar de bons vinhos canadenses?

RENATO MACHADO: Olha, existem vinhos canadenses de destaque,

basicamente os doces, de sobremesa. São uvas chardonnays,

brancas, que dão vinhos licorosos. E o que coloca o Canadá

no mapa mundial do vinho são os icewines, os vinhos de gelo.

Com a geada natural, você conserva a uva e o açúcar da uva e

colhe a uva congelada. No momento em que colhe a uva

congelada, você a coloca em uma barrica e espera descongelar

ali. E aí é que está o grande segredo do Canadá, que são os

vinhos licorosos, um dos mais famosos é o Inniskillin.

SARDENBERG: Ele disse que os vinhos comuns de lá são muito

caros.

RENATO MACHADO: Sem dúvida, e é por isso que o Canadá não está

no mercado internacional.