O Assunto é Vinho
Grand cru x premier cru
SARDENBERG: Nosso velho amigo Marcos Frederico, lá da Confraria
do Vinho de Bauru, disse que já trabalhou bastante os vinhos
do Novo Mundo e está adentrando no universo dos franceses.
E ele quer saber a diferença entre um vinho grand cru e de
um vinho premier cru.
RENATO MACHADO: Essa é a chave do segredo. É preciso saber isso
em relação aos vinhos da Borgonha porque essa diferença
começou a ser feita lá — depois outras regiões francesas
passaram a aplicar conceitos parecidos. O vinho tem três
categorias de qualidade e preço na Borgonha. Ele pode ter
uma denominação com o nome do vilarejo, aí ele não é nem
premier nem grand cru, tem apenas o nome do vilarejo onde
fica o vinhedo. Ou o vinho pode ter uma classificação acima,
bem melhor de qualidade, de preço mais alto, que é o premier
cru, e aí ele tem no rótulo o nome desse vinhedo. “Cru” quer
dizer vinhedo, embaixo do nome do vilarejo. Outra forma é ter
uma classificação acima, o top, o mais caro de todos, que é o
grand cru, e aí não precisa botar o nome do vilarejo, mas
apenas o nome do grand cru. Esses vinhos, porém, são muito
caros. São 33 grand cru na Borgonha. Mas um premier cru já
é um vinho de alta qualidade.
SARDENBERG: Para os iniciantes como ele, por onde começar?
RENATO MACHADO: Pela região da Côte d’Or.
Vinho tinto com
frutos do mar
SARDENBERG: Luís, da Confraria do Vinho de Bauru (São Paulo),
pergunta: na impossibilidade de tomar um vinho branco com
frutos do mar, é possível tomar um vinho tinto?
RENATO MACHADO: A resposta é difícil, porque vai depender da
consistência e dos temperos do prato. Por exemplo, se for
uma paella, que tem frutos do mar, mas não deixa de ser um
risoto que tem açafrão, especiarias e outros condimentos, aí
pode ser tomado um vinho tinto fresco, a 12 graus. Agora,
quando o fruto do mar vem sozinho, no caso de uma lagosta,
ou crustáceos, ou mexilhões, ou vôngole, fica mais
complicado casar com o vinho tinto. Eu acho que aí o sinal
amarelo aparece, e o sinal vermelho aparece no caso de
ostras, que absolutamente não vão combinar com o tinto.
SARDENBERG: Nessas cantinas italianas tem o prato de espaguete
com frutos do mar e, às vezes, ele vem com tomate, não é?
RENATO MACHADO: Ainda assim eu acho que o molho de tomate
italiano pede muitas vezes, como no caso da salada caprese,
vinhos brancos. Existem vinhos brancos na ilha de Capri, de
onde, aliás, saiu a salada caprese. A mussarela e o tomate se
harmonizam maravilhosamente com vinhos brancos. No caso
de frutos do mar que levem tomate, é possível conciliar com
vinho tinto que não seja envelhecido, que não tenha muita
madeira, muita baunilha.
SARDENBERG: Dê um exemplo desse tinto.
RENATO MACHADO: Há alguns tintos rústicos da Toscana, da
Umbria. São vinhos camponeses e combinam muito bem com
pratos com molho de tomate.