O Assunto é Vinho

Carlos Alberto Sardenberg e Renato Machado · Capítulo 25 de 53

Páginas do PDF

O Assunto é Vinho

Grand cru x premier cru

 

SARDENBERG: Nosso velho amigo Marcos Frederico, lá da Confraria

do Vinho de Bauru, disse que já trabalhou bastante os vinhos

do Novo Mundo e está adentrando no universo dos franceses.

E ele quer saber a diferença entre um vinho grand cru e de

um vinho premier cru.

RENATO MACHADO: Essa é a chave do segredo. É preciso saber isso

em relação aos vinhos da Borgonha porque essa diferença

começou a ser feita lá — depois outras regiões francesas

passaram a aplicar conceitos parecidos. O vinho tem três

categorias de qualidade e preço na Borgonha. Ele pode ter

uma denominação com o nome do vilarejo, aí ele não é nem

premier nem grand cru, tem apenas o nome do vilarejo onde

fica o vinhedo. Ou o vinho pode ter uma classificação acima,

bem melhor de qualidade, de preço mais alto, que é o premier

cru, e aí ele tem no rótulo o nome desse vinhedo. “Cru” quer

dizer vinhedo, embaixo do nome do vilarejo. Outra forma é ter

uma classificação acima, o top, o mais caro de todos, que é o

grand cru, e aí não precisa botar o nome do vilarejo, mas

apenas o nome do grand cru. Esses vinhos, porém, são muito

caros. São 33 grand cru na Borgonha. Mas um premier cru já

é um vinho de alta qualidade.

SARDENBERG: Para os iniciantes como ele, por onde começar?

RENATO MACHADO: Pela região da Côte d’Or.

Vinho tinto com

frutos do mar

 

SARDENBERG: Luís, da Confraria do Vinho de Bauru (São Paulo),

pergunta: na impossibilidade de tomar um vinho branco com

frutos do mar, é possível tomar um vinho tinto?

RENATO MACHADO: A resposta é difícil, porque vai depender da

consistência e dos temperos do prato. Por exemplo, se for

uma paella, que tem frutos do mar, mas não deixa de ser um

risoto que tem açafrão, especiarias e outros condimentos, aí

pode ser tomado um vinho tinto fresco, a 12 graus. Agora,

quando o fruto do mar vem sozinho, no caso de uma lagosta,

ou crustáceos, ou mexilhões, ou vôngole, fica mais

complicado casar com o vinho tinto. Eu acho que aí o sinal

amarelo aparece, e o sinal vermelho aparece no caso de

ostras, que absolutamente não vão combinar com o tinto.

SARDENBERG: Nessas cantinas italianas tem o prato de espaguete

com frutos do mar e, às vezes, ele vem com tomate, não é?

RENATO MACHADO: Ainda assim eu acho que o molho de tomate

italiano pede muitas vezes, como no caso da salada caprese,

vinhos brancos. Existem vinhos brancos na ilha de Capri, de

onde, aliás, saiu a salada caprese. A mussarela e o tomate se

harmonizam maravilhosamente com vinhos brancos. No caso

de frutos do mar que levem tomate, é possível conciliar com

vinho tinto que não seja envelhecido, que não tenha muita

madeira, muita baunilha.

SARDENBERG: Dê um exemplo desse tinto.

RENATO MACHADO: Há alguns tintos rústicos da Toscana, da

Umbria. São vinhos camponeses e combinam muito bem com

pratos com molho de tomate.