O Assunto é Vinho

Carlos Alberto Sardenberg e Renato Machado · Capítulo 17 de 53

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O Assunto é Vinho

SARDENBERG: Afinal, o que são vinhos modernos?

 

RENATO MACHADO: São vinhos que não trazem no rótulo

necessariamente a região, a denominação de origem deles.

Eles têm um nome fantasia que o proprietário inventa

pretendendo que no supermercado ou na importadora o

cliente grave esse nome, em vez de gravar a geografia, a região

etc. Então, vinho moderno porque não há a indicação da uva

nem da origem, e sim um nome de marketing. Ele pode ser

bom, médio ou ruim, mas normalmente ele é de médio para

bom, e em geral custa caro.

SARDENBERG: Por que custa caro?

RENATO MACHADO: Como são nomes inventados, o proprietário não

teve de seguir determinada legislação e pode escolher uvas

especiais, e por isso são mais dispendiosos.

SARDENBERG: Mas pode ter picaretagem?

RENATO MACHADO: Sim, afinal a gente nunca sabe por que não tem

a origem no rótulo, se é uma armação de marketing ou se é

um vinho resultado de uma mistura de grandes uvas. A gente

tem de abrir para provar.

Como montar uma adega

 

SARDENBERG: Como se faz para montar uma adega de vinhos?

RENATO MACHADO: São tantos vinhos no mundo inteiro que eu

acho que uma miniadega deveria ter 24 garrafas, porque você

teria oito brancos, oito tintos — com representantes da Itália,

Portugal, Chile e Argentina em ambos os casos. Além disso,

deveria ter um exemplar da Espanha e quatro representantes

da França, um de cada região. Como temos de reservar duas

garrafas na adega para os espumantes, então estamos

falando de 23 vinhos no total. A escolha é desafiadora.

SARDENBERG: Então, vamos resumir, você fala em ter dois

espumantes, oito brancos e treze tintos, sendo quatro

franceses.

RENATO MACHADO: Ou poderíamos ter três franceses tintos e um

branco.