O Assunto é Vinho
SARDENBERG: Afinal, o que são vinhos modernos?
RENATO MACHADO: São vinhos que não trazem no rótulo
necessariamente a região, a denominação de origem deles.
Eles têm um nome fantasia que o proprietário inventa
pretendendo que no supermercado ou na importadora o
cliente grave esse nome, em vez de gravar a geografia, a região
etc. Então, vinho moderno porque não há a indicação da uva
nem da origem, e sim um nome de marketing. Ele pode ser
bom, médio ou ruim, mas normalmente ele é de médio para
bom, e em geral custa caro.
SARDENBERG: Por que custa caro?
RENATO MACHADO: Como são nomes inventados, o proprietário não
teve de seguir determinada legislação e pode escolher uvas
especiais, e por isso são mais dispendiosos.
SARDENBERG: Mas pode ter picaretagem?
RENATO MACHADO: Sim, afinal a gente nunca sabe por que não tem
a origem no rótulo, se é uma armação de marketing ou se é
um vinho resultado de uma mistura de grandes uvas. A gente
tem de abrir para provar.
Como montar uma adega
SARDENBERG: Como se faz para montar uma adega de vinhos?
RENATO MACHADO: São tantos vinhos no mundo inteiro que eu
acho que uma miniadega deveria ter 24 garrafas, porque você
teria oito brancos, oito tintos — com representantes da Itália,
Portugal, Chile e Argentina em ambos os casos. Além disso,
deveria ter um exemplar da Espanha e quatro representantes
da França, um de cada região. Como temos de reservar duas
garrafas na adega para os espumantes, então estamos
falando de 23 vinhos no total. A escolha é desafiadora.
SARDENBERG: Então, vamos resumir, você fala em ter dois
espumantes, oito brancos e treze tintos, sendo quatro
franceses.
RENATO MACHADO: Ou poderíamos ter três franceses tintos e um
branco.