O Assunto é Vinho
caro que um francês?
SARDENBERG: O ouvinte Marcelo diz assim: “Quero ver o Renato
harmonizar paçoca com vinho”. E outro ouvinte pergunta se
você consegue harmonizar pamonha com vinho. Agora,
começou a série...
RENATO MACHADO: É verdade. Começou a série das
impossibilidades.
SARDENBERG: Bem, tem um ouvinte que pagou mais por um vinho
chileno do que um francês e quer saber se fez certo.
RENATO MACHADO: Na verdade, esse ouvinte leu uma coluna de um
crítico falando bem de dois vinhos, um chileno da Viña San
Pedro e um francês que se chama Mars de Mas de Daumas
Gassac, que ele tinha visto no filme Mondovino. Ele foi ver na
loja e descobriu que o chileno, o Cabo de Hornos, custava 160
reais e o francês 50 reais. Aí ele pergunta se vale a pena
gastar toda essa fortuna no chileno ou se seria melhor ficar
com o francês. Olha, o Cabo de Hornos é um dos melhores
vinhos chilenos, mas está bastante caro. O francês é uma boa
compra, pois é um vinho bom. Para pagar 160 reais pelo Cabo
de Hornos tem de pensar bem. Com esse dinheiro ele pode
diversificar.
SARDENBERG: Isso me leva a pensar o seguinte: no caso de um
almoço ou jantar longo, você acha que a gente deve manter o
mesmo vinho ou ir trocando de vinho?
RENATO MACHADO: Sem dúvida, o ideal é trocar o vinho. Sou a
favor de trocas constantes ao longo do jantar.
Almoço regado a champanhe
SARDENBERG: O assunto é degustação de champanhe.
RENATO MACHADO: Pois é, houve uma degustação de champanhe
em um hotel aqui no Rio de Janeiro — bom champanhes e a
preços acessíveis. E a vantagem de fazer um almoço regado a
espumantes franceses, aliás, espumantes de qualquer país, é
que a gradação alcoólica é baixa. Então, você pode
experimentar um, experimentar outro, experimentar mais um,
você pode atravessar todo o almoço e continuar a trabalhar de
tarde, quer dizer, sem desestimular a produção. De qualquer
forma, os champanhes se modificaram muito. Eles não têm
mais a qualidade que tiveram no passado, por causa da
superprodução que está assolando o mercado do vinho, o que
atingiu a região de Champanhe, em razão de dois mercados
emergentes: a China e a Rússia.
SARDENBERG: Agora, isso deveria derrubar preço, se tem uma
superprodução...
RENATO MACHADO: Deveria, mas no caso de alta demanda, como é
o caso dos emergentes que entraram comprando muito, isso
não acontece.
SARDENBERG: Outra coisa. Champanhe envelhece?
RENATO MACHADO: Sim, e muito bem. Mas não esses comuns, e Quanto menos álcool, melhor
sim os champanhes especiais, selecionados. Esses
envelhecem gloriosamente por causa da acidez.