O Assunto é Vinho

Carlos Alberto Sardenberg e Renato Machado · Capítulo 52 de 53

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O Assunto é Vinho

caro que um francês?

 

SARDENBERG: O ouvinte Marcelo diz assim: “Quero ver o Renato

harmonizar paçoca com vinho”. E outro ouvinte pergunta se

você consegue harmonizar pamonha com vinho. Agora,

começou a série...

RENATO MACHADO: É verdade. Começou a série das

impossibilidades.

SARDENBERG: Bem, tem um ouvinte que pagou mais por um vinho

chileno do que um francês e quer saber se fez certo.

RENATO MACHADO: Na verdade, esse ouvinte leu uma coluna de um

crítico falando bem de dois vinhos, um chileno da Viña San

Pedro e um francês que se chama Mars de Mas de Daumas

Gassac, que ele tinha visto no filme Mondovino. Ele foi ver na

loja e descobriu que o chileno, o Cabo de Hornos, custava 160

reais e o francês 50 reais. Aí ele pergunta se vale a pena

gastar toda essa fortuna no chileno ou se seria melhor ficar

com o francês. Olha, o Cabo de Hornos é um dos melhores

vinhos chilenos, mas está bastante caro. O francês é uma boa

compra, pois é um vinho bom. Para pagar 160 reais pelo Cabo

de Hornos tem de pensar bem. Com esse dinheiro ele pode

diversificar.

SARDENBERG: Isso me leva a pensar o seguinte: no caso de um

almoço ou jantar longo, você acha que a gente deve manter o

mesmo vinho ou ir trocando de vinho?

RENATO MACHADO: Sem dúvida, o ideal é trocar o vinho. Sou a

favor de trocas constantes ao longo do jantar.

Almoço regado a champanhe

 

SARDENBERG: O assunto é degustação de champanhe.

RENATO MACHADO: Pois é, houve uma degustação de champanhe

em um hotel aqui no Rio de Janeiro — bom champanhes e a

preços acessíveis. E a vantagem de fazer um almoço regado a

espumantes franceses, aliás, espumantes de qualquer país, é

que a gradação alcoólica é baixa. Então, você pode

experimentar um, experimentar outro, experimentar mais um,

você pode atravessar todo o almoço e continuar a trabalhar de

tarde, quer dizer, sem desestimular a produção. De qualquer

forma, os champanhes se modificaram muito. Eles não têm

mais a qualidade que tiveram no passado, por causa da

superprodução que está assolando o mercado do vinho, o que

atingiu a região de Champanhe, em razão de dois mercados

emergentes: a China e a Rússia.

SARDENBERG: Agora, isso deveria derrubar preço, se tem uma

superprodução...

RENATO MACHADO: Deveria, mas no caso de alta demanda, como é

o caso dos emergentes que entraram comprando muito, isso

não acontece.

SARDENBERG: Outra coisa. Champanhe envelhece?

RENATO MACHADO: Sim, e muito bem. Mas não esses comuns, e Quanto menos álcool, melhor

sim os champanhes especiais, selecionados. Esses

envelhecem gloriosamente por causa da acidez.