O Assunto é Vinho
Beba até o fim
SARDENBERG: Como guardar a garrafa que não foi consumida
totalmente?
RENATO MACHADO: Eu aconselho a consumir toda a garrafa e, se
for difícil, chame o vizinho, convide o colega do escritório. É
que, uma vez aberto, o vinho perde seus encantos se
guardado. Já inventaram vários dispositivos para manter o
frescor do vinho, mas, uma vez que o oxigênio entra na
garrafa, o vinho vai se oxidar. É como você morder uma pêra.
Dali a dez minutos ela não tem mais a mesma cor. A oxidação
age sobre as moléculas, ou seja, estamos falando de um
problema da natureza. É claro que o vinho pode suportar
cinco, seis horas aberto. Há vinhos que suportam até 24
horas, mas são grandes vinhos de grandes safras.
Normalmente, os vinhos devem ser consumidos em no
máximo quatro horas.
SARDENBERG: E aquela máquina de vácuo que tem nos
restaurantes? Ela preserva?
RENATO MACHADO: Durante algum tempo. Preserva de um dia para
o outro, mas na minha experiência não preserva muito bem.
Aquilo injeta um gás estéril — um composto de nitrogênio que
mantém o oxigênio longe da superfície do vinho, mas não
totalmente. Se uma garrafa estiver de meio cheia para cima,
ela será mantida, mas se estiver a menos da metade não vai
ser mantida nas condições ideais.
SARDENBERG: Então a gente tem de ficar com o pé atrás nos
restaurantes que servem vinho em taça?
RENATO MACHADO: Se a garrafa estiver abaixo da metade, a gente
deve pedir para abrir outra.
SARDENBERG: E aquelas coisas que vendem em lojas de vinhos,
como aquela rolhinha de borracha?
RENATO MACHADO: Funciona durante algumas horas, mas isso tem
um preço: o vinho fica mais estável, porém perde os aromas.
SARDENBERG: Ou seja, vamos tomar, não é?
RENATO MACHADO: Exato, como eu disse, convide as pessoas
improváveis
Para abrir daqui a 18 anos
SARDENBERG: Marcos Ricardo Germano, de Jundiaí (São Paulo), diz
que nasceu seu primeiro sobrinho e ele quer comprar uma
garrafa de vinho 2006 para abrir quando o rapaz fizer 18
anos. O que ele escolhe?
RENATO MACHADO: Bem, o que foi a safra 2006 nós não sabemos
ainda no Hemisfério Norte. Já os chilenos, argentinos e
Californianos eu não recomendaria para 18 anos. Aliás,
vinhos do Novo Mundo, somente um ou dois da Austrália é
que poderiam durar esse tempo. Nesta altura, para 18 anos,
teremos de ir para a França para esperar que esta safra de
2006, que ninguém sabe como vai ser, seja engarrafada daqui
a 18 meses, ou daqui a dois anos — ou seja, comprar a safra
de 2006 em 2008.
SARDENBERG: Então, é preciso esperar, mas já sabendo que será
um francês.
RENATO MACHADO: Eu acho que sim, a não ser que ele tenha uma
possibilidade maior de compra e possa comprar a safra 2006
de um Vega Sicilia, na Espanha, que certamente vai durar 20
anos. Também na Itália, por exemplo, um Brunello di
Moltalcino pode ser que dure 20 anos, mas tem de ser um
super Brunello di Moltalcino, que são caríssimos. Os Brunello
di Moltalcino de Biondi-Santi duram 30, 40 anos. Há
piemonteses de antigos produtores do Piemonte, que são
Barolos e Barbarescos que também duram esse tempo.
SARDENBERG: E se vai guardar por 18 anos tem de diluir o preço
por este período.
RENATO MACHADO: Exato. Um vinho da bodega Vega Sicilia ou um
da bodega Alión, não sei se duram 18 anos, mas certamente
vão estar bons com 15 anos de idade. Alguns grandes vinhos
da Borgonha vão estar maravilhosos. Agora, resta saber como
será a safra de 2006.
SARDENBERG: Outro assunto, agora. O ouvinte Marcelo Coelho vai
casar e ofereceram para ele as seguintes possibilidades de
vinho para a festa de casamento: um prosecco Brut, um
prosecco Extra Dry ou um Tribal Dry, da África do Sul.
RENATO MACHADO: Olha, não conheço o vinho sul-africano, mas
imagino que também seja um espumante. Eu experimentaria,
talvez... Qual é o produtor do prosecco?
SARDENBERG: Ele não disse.
RENATO MACHADO: Bem, aí fica difícil, os proseccos são vinhos
ácidos e leves, que podem ser servidos para um grande
número de pessoas...
SARDENBERG: Não é melhor ele ir para um espumante brasileiro?
RENATO MACHADO: Acho que sim, eu ia sugerir isso. Outro dia
experimentei um Dal Pizzol que era muito bom, também o
Casa Valduga me impressionou bem e tem ainda a linha
Chandon, que faz uns vinhos bons. Mas eu preferiria os
vinhos mais artesanais, como o Dal Pizzol, um espumante A Taça das Belas
que pode fazer a festa com muito encanto.