O Assunto é Vinho

Carlos Alberto Sardenberg e Renato Machado · Capítulo 20 de 53

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O Assunto é Vinho

Beba até o fim

 

SARDENBERG: Como guardar a garrafa que não foi consumida

totalmente?

RENATO MACHADO: Eu aconselho a consumir toda a garrafa e, se

for difícil, chame o vizinho, convide o colega do escritório. É

que, uma vez aberto, o vinho perde seus encantos se

guardado. Já inventaram vários dispositivos para manter o

frescor do vinho, mas, uma vez que o oxigênio entra na

garrafa, o vinho vai se oxidar. É como você morder uma pêra.

Dali a dez minutos ela não tem mais a mesma cor. A oxidação

age sobre as moléculas, ou seja, estamos falando de um

problema da natureza. É claro que o vinho pode suportar

cinco, seis horas aberto. Há vinhos que suportam até 24

horas, mas são grandes vinhos de grandes safras.

Normalmente, os vinhos devem ser consumidos em no

máximo quatro horas.

SARDENBERG: E aquela máquina de vácuo que tem nos

restaurantes? Ela preserva?

RENATO MACHADO: Durante algum tempo. Preserva de um dia para

o outro, mas na minha experiência não preserva muito bem.

Aquilo injeta um gás estéril — um composto de nitrogênio que

mantém o oxigênio longe da superfície do vinho, mas não

totalmente. Se uma garrafa estiver de meio cheia para cima,

ela será mantida, mas se estiver a menos da metade não vai

ser mantida nas condições ideais.

SARDENBERG: Então a gente tem de ficar com o pé atrás nos

restaurantes que servem vinho em taça?

RENATO MACHADO: Se a garrafa estiver abaixo da metade, a gente

deve pedir para abrir outra.

SARDENBERG: E aquelas coisas que vendem em lojas de vinhos,

como aquela rolhinha de borracha?

RENATO MACHADO: Funciona durante algumas horas, mas isso tem

um preço: o vinho fica mais estável, porém perde os aromas.

SARDENBERG: Ou seja, vamos tomar, não é?

RENATO MACHADO: Exato, como eu disse, convide as pessoas

improváveis

Para abrir daqui a 18 anos

 

SARDENBERG: Marcos Ricardo Germano, de Jundiaí (São Paulo), diz

que nasceu seu primeiro sobrinho e ele quer comprar uma

garrafa de vinho 2006 para abrir quando o rapaz fizer 18

anos. O que ele escolhe?

RENATO MACHADO: Bem, o que foi a safra 2006 nós não sabemos

ainda no Hemisfério Norte. Já os chilenos, argentinos e

Californianos eu não recomendaria para 18 anos. Aliás,

vinhos do Novo Mundo, somente um ou dois da Austrália é

que poderiam durar esse tempo. Nesta altura, para 18 anos,

teremos de ir para a França para esperar que esta safra de

2006, que ninguém sabe como vai ser, seja engarrafada daqui

a 18 meses, ou daqui a dois anos — ou seja, comprar a safra

de 2006 em 2008.

SARDENBERG: Então, é preciso esperar, mas já sabendo que será

um francês.

RENATO MACHADO: Eu acho que sim, a não ser que ele tenha uma

possibilidade maior de compra e possa comprar a safra 2006

de um Vega Sicilia, na Espanha, que certamente vai durar 20

anos. Também na Itália, por exemplo, um Brunello di

Moltalcino pode ser que dure 20 anos, mas tem de ser um

super Brunello di Moltalcino, que são caríssimos. Os Brunello

di Moltalcino de Biondi-Santi duram 30, 40 anos. Há

piemonteses de antigos produtores do Piemonte, que são

Barolos e Barbarescos que também duram esse tempo.

SARDENBERG: E se vai guardar por 18 anos tem de diluir o preço

por este período.

RENATO MACHADO: Exato. Um vinho da bodega Vega Sicilia ou um

da bodega Alión, não sei se duram 18 anos, mas certamente

vão estar bons com 15 anos de idade. Alguns grandes vinhos

da Borgonha vão estar maravilhosos. Agora, resta saber como

será a safra de 2006.

SARDENBERG: Outro assunto, agora. O ouvinte Marcelo Coelho vai

casar e ofereceram para ele as seguintes possibilidades de

vinho para a festa de casamento: um prosecco Brut, um

prosecco Extra Dry ou um Tribal Dry, da África do Sul.

RENATO MACHADO: Olha, não conheço o vinho sul-africano, mas

imagino que também seja um espumante. Eu experimentaria,

talvez... Qual é o produtor do prosecco?

SARDENBERG: Ele não disse.

RENATO MACHADO: Bem, aí fica difícil, os proseccos são vinhos

ácidos e leves, que podem ser servidos para um grande

número de pessoas...

SARDENBERG: Não é melhor ele ir para um espumante brasileiro?

RENATO MACHADO: Acho que sim, eu ia sugerir isso. Outro dia

experimentei um Dal Pizzol que era muito bom, também o

Casa Valduga me impressionou bem e tem ainda a linha

Chandon, que faz uns vinhos bons. Mas eu preferiria os

vinhos mais artesanais, como o Dal Pizzol, um espumante A Taça das Belas

que pode fazer a festa com muito encanto.