O presbytério da montanha

António Feliciano de Castilho · Capítulo 38 de 78

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O presbytério da montanha

Capítulo II

¡meu Deus! ¡onde diabo eu tinha a morte!! —Alegra-te, Golgan; ¿que noite é esta?

—Para nós ambos de Fieis defuntos.

—De San João.

—¡Ah! sim; pois é fogueira,

e não é outra coisa. ¡Ora o diabo!

sempre tive uma colica soffrível.

Mas vamos nós a andar, se lhe parece.

Dizia um Padre Mestre ali do Algarve,

n'umas rasões que teve com meu tio,

que era barbeiro então, e o Padre Mestre era o Vigario d'elle; e elle, o meu tio,

ia fazer-lhe a barba e mais ao preto,

que era um tição que só á bofetada;

¡mas muito presumido! ¡e então por moças dava o grande magano um cavaquinho!!... Com que emfim, tinha o Padre este ditado: aonde ha lume ha fumo; e eu então digo

que por força onde ha lume ha-de haver gente; e que onde ha gente ha casa; e toda a casa tem a sua cosinha, e então ceâmos.

E é partir de repente em quanto ha lume. ...........................................................

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II

 

Eis aqui um dialogo de ensanchas

sem geito, sem sabor, sem fim, sem nexo— grita o leitor perdendo as estribeiras.

¿Onde foi isto? ¿ou quando? ¿quem são elles? ¿onde vão? ¿d'onde veem?

*

Leitor amigo,

ha duas horas que soubéras tudo,

se o cruel arrieiro o permittisse;

mas vais sabel-o em quanto enfreia as mulas. Quanto a elle, presumo que o conheces;

o nome do outro autor dir-t'o-hei n'um verso não peor que outros muitos portuguezes: Antonio Feliciano de Castilho.

Venho do Minho de assistir a bodas;

recolho me outra vez á Castanheira [3] a casa do Prior, a fazer versos,

beber-lhe o vinho verde, e dormir muito.

O theatro da scena é certo monte

de que me esquece o nome; o anno, e o dia, Mil oitocentos e vinte e oito, á noite,

vespera de S. João. Se mais desejas,

é perguntar, que eu te respondo a tudo.