O presbytério da montanha
Capítulo II
¡meu Deus! ¡onde diabo eu tinha a morte!! —Alegra-te, Golgan; ¿que noite é esta?
—Para nós ambos de Fieis defuntos.
—De San João.
—¡Ah! sim; pois é fogueira,
e não é outra coisa. ¡Ora o diabo!
sempre tive uma colica soffrível.
Mas vamos nós a andar, se lhe parece.
Dizia um Padre Mestre ali do Algarve,
n'umas rasões que teve com meu tio,
que era barbeiro então, e o Padre Mestre era o Vigario d'elle; e elle, o meu tio,
ia fazer-lhe a barba e mais ao preto,
que era um tição que só á bofetada;
¡mas muito presumido! ¡e então por moças dava o grande magano um cavaquinho!!... Com que emfim, tinha o Padre este ditado: aonde ha lume ha fumo; e eu então digo
que por força onde ha lume ha-de haver gente; e que onde ha gente ha casa; e toda a casa tem a sua cosinha, e então ceâmos.
E é partir de repente em quanto ha lume. ...........................................................
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II
Eis aqui um dialogo de ensanchas
sem geito, sem sabor, sem fim, sem nexo— grita o leitor perdendo as estribeiras.
¿Onde foi isto? ¿ou quando? ¿quem são elles? ¿onde vão? ¿d'onde veem?
*
Leitor amigo,
ha duas horas que soubéras tudo,
se o cruel arrieiro o permittisse;
mas vais sabel-o em quanto enfreia as mulas. Quanto a elle, presumo que o conheces;
o nome do outro autor dir-t'o-hei n'um verso não peor que outros muitos portuguezes: Antonio Feliciano de Castilho.
Venho do Minho de assistir a bodas;
recolho me outra vez á Castanheira [3] a casa do Prior, a fazer versos,
beber-lhe o vinho verde, e dormir muito.
O theatro da scena é certo monte
de que me esquece o nome; o anno, e o dia, Mil oitocentos e vinte e oito, á noite,
vespera de S. João. Se mais desejas,
é perguntar, que eu te respondo a tudo.