O presbytério da montanha

António Feliciano de Castilho · Capítulo 73 de 78

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O presbytério da montanha

Pag. 102, lin. 10

 

Parve, nec invideo, sine me, liber, ibis in urbem

 

Verso de Ovidio, logo no começo da elegia I do Livro I das Tristezas. Dirigindo-se ao seu proprio volume, escrito (ou antes chorado) no desterro, entre os gelos do Ponto, diz-lhe o autor: vae meu pequeno livro; has-de entrar sem mim na Cidade; nem por isso te quero mal.

 

Parte, ó meu pobre livro; irás sem mim, sosinho, correr na gran Cidade incognito caminho

traduziu alguem

 

Pag. 107, lin. 17

 

Zimmermann

 

João Jorge Zimmermann, nascido em Brug, cantão de Berne, a 8 de Dezembro de 1728, seguiu os estudos medicos, e foi abalisado sabio. Nomeou-o medico da sua camara em 1768 el-Rei de Inglaterra; el Rei de Prussia Frederico, o grande, foi tratado por elle na sua ultima doença, e deveu allivios aos seus cuidados intelligentes. O Principe russo Orloff foi de proposito com sua mulher consultar Zimmermann ao Hanover; e ao tornar-se a S. Petersburgo falou d'elle com enthusiasmo á Imperatriz Catherina, que em 1784 procurou attrahir á sua côrte aquelle luminar da sciencia. Elle pediu excusa, porque a vida mundana não condizia com os habitos que tinha creado o seu espirito; não se ofendeu a eminente Princeza, e conferiu-lhe a ordem de Wladimiro. Infeliz na vida domestica, viu morrer-lhe entre os braços uma filha adorada, e endoidecer-lhe um filho. Falleceu este notavel homem em 7 de Outubro de 1795. Além de outras obras, entre ellas um poema sobre o terremoto de Lisboa, publicou em 1756 o seu Tratado da Solidão, onde todas as vantagens moraes do isolamento são defendidas com eloquencia e convicção, e sem mysanthropia exagerada.