O presbytério da montanha

António Feliciano de Castilho · Capítulo 57 de 78

Páginas do PDF

O presbytério da montanha

Capítulo IX

devoção e piedade, e aos peregrinos

ensinem o caminho e a vista alegrem.

 

UM PASTOR

Sim, co'o santo pastor de guarda aos bosques, ¿que haviam de temer, nem cães nem gado? Nos degraus da capella, á sombra inquieta, longas séstas sonháramos de amores.

 

TERCEIRO VELHO

Já lá vão o bom tempo e os bons costumes; foi-se a abundancia e os corações piedosos. Esses fundavam templos, como o nosso, n'um árido deserto; e hoje.... se estala

no campanario um sino, em ocio eterno

fica mudo a pender dos braços podres.

 

IX

 

Bem, bem. Mal que a fortuna me sorria,

serei eu quem consagre o vosso oiteiro;

não a Mamede, não ao pastor martyr,

mas á contrita amavel Peccadora.

¿Não valem mais as lagrimas que o sangue? ¿Mais que heroico valor não nos commove doce humildade e penitencia longa?

E de mais: se ás aspérrimas proezas

vos não destina o Ceo, todos nascestes

captivos frágeis de amorosas culpas.