O presbytério da montanha
(Fragmento encontrado entre os manuscritos de Castilho)
Era a noite dos finados;
sombria noite de outono.
Entre sinos acordados
lá jaz Roma entregue ao sono;
seus luzeiros apagados.
Do ceo pelo rôto manto
só brilham frouxas estrellas;
sai a custo o clarão santo
dos templos pelas janellas;
e Petrarcha vela emtanto.
Véla Petrarcha, e suspira
no leito amoroso e ermo;
olhos na véla que expira;
saudades no peito enfermo;
nem gloria sonha, nem lyra.
Qual raio sôlto de lua
por móveis aguas vibrada
n'um bosque inteiro flutúa,
tal adeja no passado
a saudosa mente sua.
¿Quem dirá seus pensamentos?
a douta lingua está muda.
¡Que paixões, que sentimentos,
no rosto, que aspeitos muda,
veem transluzir por momentos!
Ora é dor, ora é sorriso,
esperança, amor, transporte;
queixas, ternuras diviso;